Funasa
06 de Mar de 2008
O trabalho de cultivo de uma horta na Casa de Saúde Indígena (Casai) de Roraima, utilizado como uma forma de terapia dos pacientes que vão em busca de tratamento médico, foi reconhecido. Com o projeto Agricultura Integrada ao Ambiente Hospitalar, a Casa conquistou o segundo lugar do Prêmio Péter Murányl de Alimentação, concedido em reconhecimento pela contribuição na melhoria da qualidade de vida dos povos da América Latina.
O projeto é de autoria da professora e doutora, Célida Socorro Vieira dos Santos, do curso de Agronomia da Universidade Federal de Roraima (UFRR), que trabalha em parceria com a Casai e a Coordenação Regional da Funasa de Roraima (Core/RR) da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O trabalho concorreu com mais 52 projetos apresentados pelos países da América Latina.
A Irmã Auristela, diretora da Casai, disse que o prêmio é um reconhecimento ao trabalho da Casai e da UFRR e que se sente feliz em ter esse reconhecimento internacional. "Isso mostra a simplicidade e seriedade com que fazemos as coisas na Casai e que esse projeto pode ser copiado em outras Casais", disse. "O prêmio estimula a continuar nossa luta, apesar das dificuldades", complementou. Além de servir como terapia ocupacional para os acompanhantes dos pacientes, a Irmã destacou que a horta contribui para formar agentes multiplicadores que levam para as aldeias o que aprendem.
"Eles aprendem a plantar, manusear e como aproveitar melhor as verduras, plantas e as ervas medicinais, sem o uso de agrotóxicos. Assim podemos, em um futuro próximo, ter índios mais saudáveis nas aldeias", explicou. Hoje, a horta produz abóbora, quiabo, cebolinha, coentro, alface, rúcula, couve e cenoura. Também tem um pomar com abacate, manga, mamão, acerola, caju e goiaba, dentre outros. "A meta é termos nossas frutas e verduras sem depender de terceiros", disse.
Célida justificou a escolha da atividade de agricultura para o projeto pelo fato de ser uma atividade exercida nas comunidades e pela maioria das comunidades não ter condições de atender a demanda nutricional de seus indivíduos, além de trabalhar a consciência ecológica. A proximidade com o curso de Agronomia da UFRR e a colaboração dos professores e alunos da Pró-Reitoria de Extensão, foram outros motivos apontados por Célida.
A Casai é mantida pela Funasa e atende a comunidades indígenas das diversas etnias tais como: Macuxi, Yanomami, Yekuana, Patamona, Taurepang, Wapixana, Ingaricó, Sawmã, Xiriana e Xirixana. A horta recebeu o nome de Apóstolo, em homenagem a um índio Macuxi que muito colaborou como voluntário, no início da iniciativa, em 2002.
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