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Hora de agir é agora. Existe vontade política e social

OESP, Metrópole, p. A27
Autor: AYALDE, Liliana
06 de Dez de 2015

Hora de agir é agora. Existe vontade política e social

Liliana Ayalde

A elevação do nível dos mares, passando pelo derretimento do gelo na Groenlândia e pelo branqueamento dos recifes de coral em muitas regiões costeiras, sinaliza que as mudanças climáticas estão em toda parte. Como sociedade global chegamos a um ponto crucial. Nossas decisões hoje moldarão o tipo de clima em que nossos filhos e netos nascerão, como também, imediatamente, afetarão o ar que respiramos, o preço que pagamos por energia e as oportunidades de desenvolvimento econômico.
É isso o que está em jogo na 21.ª Conferência das Partes (COP-21), em Paris, onde representantes de quase 200 nações estão reunidos para negociar um acordo abrangente sobre o clima para o mundo pós-2020. Mais do que nunca, existe vontade política e social para fazer algo sobre a elevação das temperaturas no mundo e seu efeito cascata.
Mais de 160 países, responsáveis por cerca de 90% das emissões globais, anunciaram metas climáticas antes da conferência.
Esse é um grande passo e um avanço em relação ao passado. Como referência, em 1997 o Protocolo de Kyoto levou em consideração apenas 30% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Os Estados Unidos estão adotando medidas corajosas sobre as mudanças climáticas em âmbito interno e trabalham com nações parceiras para que façam o mesmo. Desde que o presidente Obama assumiu o governo, os EUA reduziram as emissões de carbono, triplicaram a produção interna de energia eólica e aumentaram em 20 vezes o uso de energia solar. Adotamos padrões rigorosos de economia de combustível, nossos carros consomem menos gasolina e o uso de energia está mais eficiente. Protegemos uma grande extensão de terras e água para as futuras gerações. Ao mesmo tempo, a economia dos EUA expandiu-se, provando que o crescimento não está inexoravelmente ligado à produção de carbono. O Plano de Energia Limpa do presidente Obama vai reduzir as emissões do setor energético americano - responsável por um terço das emissões de carbono do país - em32% até 2030 e economizará mais de US$ 50 bilhões em custos relacionados com o clima e a saúde.
Agora que países como China e Índia se comprometeram em reduzir suas emissões, temos uma chance real de pôr em prática um plano transformador. Em Paris, os EUA estão trabalhando por um acordo efetivo que continue a incentivar ações climáticas ambiciosas por parte de todos os países, reconhecendo, ao mesmo tempo, suas diferenças.
Um acordo que produza um arcabouço de longo prazo, que exorte os países a aumentar gradualmente suas metas no decorrer dos anos. E proporcione aos países de menor desenvolvimento econômico apoio financeiro e técnico para alcançarem uma economia de baixo carbono e adaptação às mudanças climáticas.
Em suas metas nacionais, o Brasil comprometeu-se a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e em43% até 2030. Nós apoiamos os esforços contínuos do Brasil de avançar nessas direções, que alinhados às ações em marcha nos EUA contribuirão diretamente para atender ao compromisso firmado por nossos presidente sem junho de trabalhar em parceria para um resultado positivo na COP-21.
Indivíduos, membros de comunidades e empresários, todos, desempenhamos um papel fundamental. Mais de 80 empresas, incluindo Alcoa, Coca-Cola, Disney e Natura, assinaram o Ato Empresarial Americano de Compromisso com o Clima, comprometendo-se com o investimento em energia renovável e redução de resíduos. E você e eu fazemos escolhas diariamente - desde o tipo de copinho de café que usamos até o meio de transporte para irmos ao trabalho.
Cada um de nós pode fazer a sua parte, seja usando bicicleta ou reduzindo o consumo de luz e de água. Para um céu mais azul e um futuro mais seguro, esta é a hora de agir.

É EMBAIXADORA DOS EUA NO BRASIL

OESP, 06/12/2015, Metrópole, p. A27

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