O Globo, Amanhã, p. 26
Autor: VIEIRA, Agostinho
04 de Dez de 2012
A hora das empresas
Queda do desmatamento na Amazônia transfere para os setores agrícola, energético e industrial a responsabilidade pela redução das emissões de carbono. Empresas temem que os seus resultados sejam afetados
Agostinho Vieira
oglobo.globo.com/blogs/economiaverde
Xie Zhenhua, principal negociador climático da China, disse na semana passada que as emissões absolutas do seu país continuarão a aumentar até que a nação consiga atingir um produto interno bruno (PIB) per capita cinco vezes maior que o atual. Guardadas as devidas proporções econômicas, geográficas, políticas e sociais, isso é mais ou menos a mesma coisa que passa pela cabeça de alguns empresários brasileiros.
Nos últimos vinte anos, sempre que se falava em emissões de gases de efeito estufa no Brasil, a conversa era desviada para os amazônicos desafios da floresta. Com razão. Mais de 60% do carbono emitido vinha de lá e não adiantava muito discutir o resto sem que isso fosse resolvido. Não dá para dizer que o problema acabou. Longe disso. O desmatamento ainda responde por alguma coisa entre 300 e 500 milhões de toneladas de CO² equivalente. Mas não é mais o ator principal desta novela.
Com isso, o gato subiu no telhado das empresas e já começa a fazer um barulho incômodo. Historicamente, as indústrias têm uma participação pequena no Inventário Nacional de Emissões, cerca de 4%.
Mas é preciso considerar todo o setor agrícola, a pecuária e a energia, consumida intensivamente por vários ramos de negócio.
São poucas as empresas brasileiras que incluem o tema no seu planejamento estratégico. Seja para discutir o impacto que provocam ou os efeitos do aquecimento global nas suas vidas. Já o volume das que discutem, medem e têm metas de redução é ainda menor. Mas isso tende a mudar.
Em 2020, entrará em vigor a chamada Plataforma de Durban, que estabelecerá metas de redução para todos os países do mundo, sem exceção. E, como já acontece em várias nações da Europa, esses objetivos serão repassados e divididos entre estados, cidades e empresas. Cada um dando a sua contribuição.
Os empresários mais antenados já usam a expressão "intensidade de carbono", que é a quantidade de CO² emitida por unidade de PIB ou de produto. Não é a melhor solução, não reduz o número absoluto, mas já é alguma coisa. Mostra preocupação com o tema e foco em eficiência. O que não dá é para esperar o bolo crescer e só depois pensar em preservar. O planeta não tem mais tempo pra isso.
O Globo, 04/12/2012, Amanhã, p. 26
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