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Homicídio pode provocar guerra tribal

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Cyneida Correia
07 de Jan de 2006

Um homicídio ocorrido na véspera de Natal pode provocar uma guerra tribal da etnia indígena Ingaricó, no Município do Uiramutã. Segundo o tuxaua Albertino Dias de Souza, representante geral do povo indígena Ingaricó, a Fundação Nacional do Índio (Funai) foi informada do crime, mas não fez nada para ajudar os índios do lugar.
O crime aconteceu na aldeia Manalai, na área indígena Raposa/Serra do Sol. "Ele [acusado do crime] já vinha ameaçando de matar a mulher e eu, que sou representante geral dos povos indígenas, procurei resolver o problema numa boa, mas ele não obedeceu a nosso conselho e matou a mulher a tiros", contou. O assassino foi preso e amarrado pelos próprios indígenas.
Segundo o tuxaua, o indígena que cometeu o assassinato estaria sob efeito de uma planta alucinógena, provavelmente maconha. O tuxaua está preocupado com a possibilidade de ocorrer uma guerra tribal entre as famílias dos envolvidos no crime. "Eles estão revoltados e não queremos que nada aconteça, mas querem invadir o lugar onde o assassino está amarrado para matá-lo. Por isso estamos buscando ajuda", afirmou.
A Funai foi comunicada imediatamente, mas não tomou providências. "Na reserva só entra com autorização da Funai, e estamos preocupados, pois o assassino está amarrado e a família da mulher quer vingança. Naquela aldeia só entra ou sai de avião. A Funai diz que não tem recursos, mas nós sabemos que eles têm sim. É um órgão federal e não pode dizer que não vai ajudar os índios. Se a polícia não for enviada imediatamente ao local, vai haver uma guerra", declarou.
Albertino Dias já foi ao Ministério Público Federal fazer a denúncia contra a Funai. "Eles disseram que vão tomar providências e nós estamos esperando que façam algo, pois temos medo de acontecer mais mortes na aldeia. Se isso ocorrer, a culpa será toda da Funai que foi avisada com antecedência de nove dias", frisou.
A Folha tentou entrar em contato com a Funai, mas na tarde de sexta-feira não havia no órgão ninguém que falasse sobre o assunto.

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