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Hollande pede criação de imposto antipobreza

OESP, Especial, p. H5
21 de Jun de 2012

Hollande pede criação de imposto antipobreza
Presidente francês também insistiu na transformação do Pnuma em agência

FERNANDO DANTAS / RIO, VINICIUS NEDER

O presidente da França, François Hollande, defendeu na Rio+20 a criação de um imposto sobre transações financeiras para financiar o desenvolvimento sustentável e o combate à pobreza. A medida poderia sanar uma das lacunas apontadas pelo francês no documento final da Rio+20: a falta de previsão de novas fontes de financiamento para a transição para o desenvolvimento sustentável, como tributos sobre operações financeiras e emissões de carbono. "Engajarei-me nos esforços para que a receita dessa taxa seja revertida em grande para a parte para os objetivos do desenvolvimento", disse ele, no Riocentro.
A outra lacuna citada por Hollande é a não transformação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em uma agência especializada da ONU com poderes deliberativos e estabilidade orçamentária.
"Claro que não podemos concordar com o que não está no texto", disse Hollande, em referência àquelas lacunas. Sua visão reflete o fato de que a União Europeia (UE) foi o grande ator das negociações da Rio+20 mais insatisfeito com o documento final.
Hollande elogiou os avanços em áreas como preservação dos oceanos, economia verde, combate à pobreza e mesmo a prevista elevação do status do Pnuma (que não inclui a transformação em agência). Na entrevista e no seu discurso na plenária de chefes de Estado, porém, ele frisou que mais poderia ter sido feito. "O documento poderia ter ido mais longe em diversos temas."
No pronunciamento, o francês defendeu o imposto sobre transações financeiras. Ontem, ele esteve por meia hora com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Copacabana, e almoçou com a presidente Dilma Rousseff, na Barra.
Hollande vem propondo um imposto sobre operações financeiras que poderia levantar quase 60 bilhões por ano e estimular a economia dos 27 países da UE. Mas o primeiro-ministro britânico, David Cameron, opõe-se.
Otimismo. Ontem, o presidente francês, ressalvando que existe a oposição de "países liberais", mostrou otimismo em relação à possibilidade de aprovação da taxa sobre operações financeiras por pelo menos alguns países na reunião do Conselho Europeu no fim deste mês em Bruxelas. Anteontem, na reunião do G-20 no México, ele disse esperar que o novo imposto esteja em vigor em 2013.
Hollande também lembrou a crise financeira e econômica dos países europeus, que tradicionalmente dão suporte aos países em desenvolvimento. Para o presidente francês, no contexto de crise e austeridade, "nós devemos mobilizar todos os recursos possíveis".
Em relação à transformação do Pnuma numa agência da ONU, ele ressaltou que "é um projeto no qual a França está engajada". Para Hollande, o principal motivo para a mudança de status do Pnuma seria reunir todos os tratados e convenções sobre desenvolvimento sustentável numa mesma instituição, unindo todas as conferências na mesma perspectiva e evitando qualquer exclusão de temas.
Hollande deixou claro que a França não desistiu de transformar o Pnuma em agência e mencionou a importância dessa mudança para reforçar o papel da África no cenário global (já que sua sede é em Nairobi, Quênia).
Para o presidente francês, os problemas financeiros e econômicos do mundo rico, e especialmente da Europa, não devem tirar o foco do desenvolvimento sustentável e da economia verde, que "são uma forma de sairmos da crise". Ele frisou que a economia verde não significa nenhum tipo de protecionismo, lembrando a mobilização no G-20 contra esse risco.
Hollande mencionou áreas em que os esforços de desenvolvimento sustentável devem ser reforçados: oceanos, aquecimento, biodiversidade, terras agrícolas e desigualdade entre países.

OESP, 21/06/2012, Especial, p. H5

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