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Hidrovia ameaça Bacia do Prata

OESP, Vida, p. A15
20 de Mar de 2007

Hidrovia ameaça Bacia do Prata
WWF põe rede fluvial do Cone Sul entre as dez mais vulneráveis do mundo e culpa Brasil, Bolívia e Paraguai

Jamil Chade

A WWF, uma das maiores organizações de proteção ao meio ambiente, acusa os governos do Brasil, Bolívia e Paraguai de retomar a idéia de uma hidrovia pela Bacia do Prata sem preparar análises de impacto.

Um relatório lançado ontem pelo grupo aponta a Bacia do Prata como uma das dez maiores fontes de água doce no mundo que mais correm riscos ambientais, ao lado dos Rios Yang-tse (China), Nilo (África), Bravo (ou Rio Grande), na fronteira entre Estados Unidos e México, Ganges, Indo, Mekong e Salween (Ásia), Murray-Darling (Austrália) e Danúbio (Europa). A análise marca o Dia Internacional da Água, que será celebrado depois de amanhã em todo o mundo.

No caso da Bacia do Prata, as hidrelétricas e o transporte fluvial seriam as principais ameaças. O problema, segundo a WWF, pode afetar até mesmo o Pantanal e todo seu ecossistema. Isso porque uma redução de 25 centímetros no nível do Rio Paraguai (um dos principais da bacia, ao lado do Paraná e do Uruguai), decorrente de represamento ou eclusas, poderia gerar uma queda de até 22% na área inundada do Pantanal.

Segundo os ambientalistas, o fenômeno teria efeito devastador, não só na flora e fauna, mas na própria forma de ocupação da região. Um dos grupos mais afetados seriam os indígenas que ainda vivem no Pantanal e dependem da pesca.

Quanto aos projetos de transporte, a principal ameaça são as obras de uma hidrovia entre Cáceres, no Estado de Mato Grosso, e o porto uruguaio de Nueva Palmira. O projeto foi amplamente discutido nos anos 1990, mas agora estaria sendo retomado pelos governos sem uma avaliação suficiente do impacto sobre o meio ambiente.

A WWF alerta que a Bacia do Prata ainda passará por um forte período de construção de barragens. No total, 27 estão sendo planejadas no Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Para a entidade, o número de empreendimentos hidrelétricos é um dos maiores do mundo em uma só bacia.

À ESPERA DE FINANCIAMENTO

Segundo o secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, João Bosco Senra, a Bacia do Prata é extremamente impactada pela ação humana, mas hoje os países têm instrumentos para "reorientar projetos" e viabilizar desenvolvimento sustentável. "A maior parte do PIB da América do Sul está ali, e todo projeto tem potencial impacto", diz.

Senra afirma que o Comitê Intergovernamental da Bacia do Prata, formado pelos cinco países alcançados por seus rios, concluiu após dois anos de análise um Programa Marco para a região e aguarda agora aprovação do Fundo Global do Meio Ambiente, criado em 1992.

Caso seja aprovado, o fundo vai doar US$ 15 milhões para o programa. Com as contrapartidas dos cinco governos, as ações de conservação na Bacia do Prata contariam com US$ 60 milhões.

DIREITO FUNDAMENTAL

Um grupo de países quer pedir à ONU que reconheça o acesso à água como direito fundamental. "Há boa vontade em relação ao assunto, mas isso não é suficiente", disse Abel Mamani, ministro da Água da Bolívia, durante a 1ª Assembléia Mundial dos Representantes e dos Cidadãos pela Água, no Parlamento Europeu.

OESP, 20/03/2007, Vida, p. A15

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