Estadão do Norte-Porto Velho-RO
03 de Mai de 2005
Com investimento de 4,5 bilhões de dólares do Programa de Parcerias Público-Privadas (PPP), as empresas Furnas Centrais Elétricas Norberto Odebrecht Construções começam já neste ano a construir o maior empreendimento da história da Amazônia Legal: a construção de duas hidrelétricas em Rondônia. A meta é gerar energia barata e constante para todos os municípios do Acre, Rondônia, Amazonas e do Mato Grosso. As obras, nas comunidades de Jirau e de Santo Antônio, deverão ser concluídas em dez anos, mas, no término do terceiro ano, as usinas começam a gerar energia para os quatro Estados.
O excedente será exportado para Bolívia, Peru e para outros interessados, que, segundo estimativas de Furnas, a geração das duas usinas corresponderá a 13% do que é consumido hoje em todo o Brasil.
O pró e o contra das construções, comparadas, por sua magnitude, pela Furnas à construção de Brasília (DF), Distrito Federal, foram analisados na Sexta-feira, no auditório da Casa da Indústria. "Temos toda a certeza de que o saldo é positivo tanto do ponto de vista do desenvolvimento econômico quanto do social", garantiu o diretor de contratos da Norberto Odebrecht, José Bonifácio Pinto Filho, que falou a 20 representantes de órgãos públicos, empresas privadas e organizações não- governamentais.
O 3o Workshop da Avaliação Ambiental Estratégica do Complexo Madeira, promovido pelas empresas envolvidas, discutiu também os estudos de viabilidade do complexo, os processos e efeitos que virão com a implantação do empreendimento, com a conseqüente navegabilidade do Rio Madeira. O workshop também ouvirá os representantes da sociedade civil. O governador Jorge Viana esteve presente e pediu para que o Acre fosse incluído no projeto. "Queremos participar, porque nos diz respeito de forma direta. Vejo boa vontade de todos os envolvidos nesse investimento", disse.
Famílias afetadas
Os estudos para a construção das usinas hidrelétricas começaram a ser realizados em 2001 por Furnas. Foi um trabalho desenvolvido ao longo dos 260 quilômetros do Madeira, entre Porto Velho e Abunã, em Rondônia. Com ele, foi possível saber que apenas 500 famílias serão afetadas pelo transbordamento. Todas já são atingidas pelas cheias regulares, atualmente. "Também planejamos criar uma rede de hidrovias, ampliando a navegação existente e possibilitando que embarcações de maior calado circulem entre Porto Velho e Abunã. A expectativa é que essas obras estimulem a agroindústria, o ecoturismo e integre as redes fluviais entre Brasil, Bolívia e Peru", revelou Afonso Andrade Goulart, gerente da Furnas em Porto Velho.Em Porto Velho estão sendo conduzidos estudos que diagnosticam os meios físicos (solo, água), biótico (flora, fauna) e socioeconômico (caracterização e apoio às comunidades locais). Para esse trabalho, foi fundamental a parceria entre Furnas e as instituições de ensino e de pesquisa de Rondônia. A Universidade Federal do Acre (Ufac) também participou do processo com o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa).
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