OESP, Vida, p.A17
13 de Nov de 2004
Hidrelétricas causam êxodo de ilhéus do Rio Paraná
Fábio Cavazotti
PORTO RICO (PR) - As Usinas Hidrelétricas de Itaipu, construída nos anos 80, e Sérgio Motta, na década de 90, estão causando grande êxodo dos ilhéus do Rio Paraná no trecho que delimita São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, em razão da drástica diminuição da quantidade de peixes.
A redução das cheias impede o transbordamento das águas para o "varjão do Paraná", planície de inundação que avança até 4 quilômetros margem adentro. Nessa faixa são depositados os ovos das grandes espécies na piracema, de dezembro a março. Há sete anos não ocorre o fenômeno. A alteração artificial do nível das águas, associada ao represamento, está causando também a erosão de centenas de quilômetros de margens.
A fuga dos ilhéus acentuou-se a partir de 2002, quando decisão judicial impediu a manutenção, pelos pescadores, de pequenas lavouras de subsistência. Hoje dezenas de famílias de ex-ilhéus engrossam o Movimento Sem Terra (MST) e a periferia das maiores cidades do noroeste do Paraná.
Os 230 quilômetros do Rio Paraná entre o início do reservatório de Itaipu, em Guaíra (PR), e a barragem da Sérgio Motta, em Rosana (SP), representam o último trecho que conserva as características originais, segundo o professor Horácio Ferreira Jr., da Universidade Estadual de Maringá. "É a única área que ainda tem água corrente e por isso sua importância para a biodiversidade é enorme."
Desde 2001, o Ministério Público do Paraná e Ministério Público Federal movem ações civis contra o Ibama e a Cesp. Pedem que a Cesp seja obrigada a levar em conta o período das cheias no processo de abertura e fechamento das comportas, hoje sujeito, segundo a denúncia, apenas à necessidade de geração de energia. A Cesp e o Ibama alegam que a acusação é inverídica, pois a Sérgio Motta é operada num sistema em que todo acréscimo de volume para o lado de cima transborda igualmente para baixo, mantendo o nível ao longo do rio.
OESP, 13/11/2004, p. A17
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