OESP, Economia, p. B9
13 de Ago de 2006
Hidrelétrica é monumento ao desperdício de dinheiro
Obra levou 20 anos e custou US$ 9,3 bilhões, quase cinco vezes mais que o previsto
A Hidrelétrica de Porto Primavera, no Rio Paraná, era considera a maior obra no País em 1998, mas entrou para a história como um dos maiores exemplos de falta de planejamento e desperdício de dinheiro público. Na fase de conclusão, o custo contábil chegava a US$ 9,3 bilhões, quase cinco vezes mais que o previsto no projeto.
Última obra faraônica projetada no fim dos anos 70, teve um custo adicional de US$ 4,8 bilhões só de juros, por conta de um atraso na construção iniciada em 1979. As turbinas só começaram a gerar energia em 1999, depois de 20 anos.
O fechamento das comportas da hidrelétrica foi complicado, por causa do estrago ambiental. O enchimento do reservatório atrasou por problemas com o Ibama e isso impediu a privatização da empresa responsável pelo empreendimento, a Cesp, que até hoje está sob controle do Estado.
O reservatório da barragem tem 250 quilômetros de extensão com largura média de 10 quilômetros. Sua formação exigiu a remoção de 1.700 famílias . Na várzea do Rio Paraná, no lado do Mato Grosso do Sul, uma paisagem semelhante à do Pantanal foi coberta pela represa de 2.250 quilômetros quadrados. O desnível da água na barragem tem apenas 16 metros e grande parte do reservatório tem profundidade de até dois metros. Trinta e duas ilhas do Rio Paraná foram submersas. O lago, 5,5 vezes maior que a Baía da Guanabara, é maior que o de Itaipu, que fica no mesmo Rio Paraná. Mas a quantidade de energia gerada por Itaipu é oito vezes superior .
O projeto data de uma época em que o impacto no meio ambiente era uma questão secundária. Grandes obras, nos anos 70, serviam também para garantir financiamento externo para o desenvolvimento. A Eletrobrás, na gestão do ex-presidente João Figueiredo, e o governo do Estado negociaram, de uma só vez, a compra de todos os equipamentos para Primavera e outras cinco hidrelétricas. Com isso, o País obteve financiamento externo com aval dos fabricantes.
ITAIPU
Com o fim da obra de Itaipu, a Cesp era obrigada a comprar toda a energia excedente da binacional, por imposição do governo federal. Com isso, as barragens paulistas tornaram-se desnecessárias e faltaram recursos para as obras. Os equipamentos importados começaram a chegar e precisavam ficar estocados em condições especiais para que não se deteriorassem. O custo quase inviabilizou o projeto.
Na gestão do governador Mário Covas,em 1995, a solução para evitar a falência da Cesp foi fazer uma parceria com empresas privadas responsáveis pelas obras. Foi montada uma operação de financiamento. As empresas receberam US$ 1,1 bilhão em papéis, como um "vale-energia", em troca da instalação de 11 turbinas. C.S.
OESP, 13/08/2006, Economia, p. B9
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.