OESP, Economia, p. B10
10 de Dez de 2006
'Herança de Ingá' serve de alerta ambiental
Montanha de substâncias tóxicas é o que restou de empresa falida no local
Uma montanha avermelhada de rejeitos metalúrgicos com cerca de 3 toneladas de óxido de ferro, zinco, cádmio, magnésio, chumbo, arsênio e outros metais pesados é o retrato de um dos maiores passivos ambientais do Estado do Rio. Ocupando uma área distante cerca de 800 metros do porto, separada do mar por uma densa região de mangue e um canal, no trecho do Saco do Engenho, a pilha de substâncias tóxicas é a herança deixada pela companhia Ingá Mercantil, que faliu há menos de dez anos.
A área está interditada pela Justiça Federal e desde 2003 uma equipe do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) faz plantão no local para evitar uma contaminação maior da bacia hidrográfica da região, uma ameaça constante a cada chuva.
A 'herança da Ingá', ainda sem uma solução ambiental efetiva, é o exemplo mais concreto do que pode provocar a exploração industrial sem o acompanhamento de um projeto voltado à preservação do meio ambiente. Especialmente se tratando de setores industriais altamente poluidores, como os de mineração e siderurgia.
Hoje, o risco é real em todo o entorno, mas não foi suficiente para afastar a vizinhança. Uma grande comunidade de baixa renda se mantém nos arredores da área de rejeitos da Ingá, apesar do perigo ambiental que a área representa.
'Essa lagoa ali do lado já está toda contaminada', diz o aposentado Ismael da Rocha, de 71 anos, que há seis mora em uma casa bem em frente à antiga sede da mineradora de zinco. Apesar das reclamações, ele não parece disposto a abandonar o local. 'Ainda não soube de nenhum caso grave de doença', comenta.
Os projetos das duas plantas de produção de aço, da CSA e da CSN, estão sendo submetidos a análises de impacto ambiental para a aprovação das obras. A reivindicação dos ambientalistas é de que não se repitam em Santa Cruz e Itaguaí a experiência degradadora da Ingá, que se instalou no local em 1969, época em que as preocupações com a preservação do ecossistema ainda não estavam na ordem do dia. Extraindo zinco a partir de calamina, a fábrica empilhava os rejeitos ao lado dos galpões de produção.
OESP, 10/12/2006, Economia, p. B10
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