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Grupos Suzano e Klabin vão negociar crédito de carbono

OESP, Economia, p. B13
07 de out de 2004

Grupos Suzano e Klabin vão negociar crédito de carbono
Ratificação do Protocolo de Kyoto vai aumentar demanda dessas aplicações em 2005

Heloiza Canassa

Empresas brasileiras começam a procurar o mercado de créditos de carbono: a Suzano Papel e Celulose oficializa hoje sua entrada na Chicago Climate Exchange (CCX); a Klabin teve a filiação aprovada em fevereiro, mas espera o aumento dos preços para começar a negociar. Outras companhias, diz a direção da bolsa, estão prestes a se filiar.
A possível ratificação pela Rússia do Protocolo de Kyoto deve aumentar a demanda por créditos de carbono em 2005. O protocolo estabelece que as empresas emissoras de gases poluentes reduzam esses volumes ou comprem o "direito de emitir" por meio dos créditos. Outras companhias, como a Suzano e a Klabin, absorvem mais poluentes do que lançam na atmosfera, pois possuem florestas. Por isso, têm o direito de vender créditos de carbono no mercado.
"Para o investidor, a falta de uma política contra o aquecimento global é um passivo ambiental que está escondido no balanço e um dia vai voltar para assombrar a empresa, reduzindo receita e lucros", diz Rafael Marques, vice-presidente da CCX. "E não dá para desconsiderar a oportunidade das empresas brasileiras quando na mesa de negociação da CCX com gigantes como Ford, Rolls-Royce ou DuPont."
A Klabin tem elegibilidade de vender créditos referentes a área de 10 mil hectares de florestas de pinho e eucalipto, do total de 190 mil hectares plantados. A Suzano tem área semelhante. Para cada hectare elegível, pode-se negociar 30 a 40 toneladas de créditos por ano.
Desde o lançamento da bolsa, em dezembro, os créditos de carbono valiam entre US$ 0,96 e US$ 0,98; ontem atingiram o pico de US$ 1,22. O volume também mostra fôlego. Nos primeiros 10 meses, as vendas foram de 1,4 milhão de toneladas. De agosto para setembro, disparou 73%, para 205 mil toneladas.
O diretor florestal da Klabin, Reinoldo Poernbacher, afirma que o ganho financeiro está em segundo plano. "O objetivo é exteriorizar o compromisso da empresa com questões ambientais." A questão tem mais destaque na Europa e América do Norte, onde há fundos voltados para empresas com foco ambiental.
Além disso, a partir de 2005, a União Européia passa a considerar obrigatórias medidas de redução da emissão de gases para fabricantes e fornecedores do bloco.
"Cada vez mais clientes procuram fornecedores com orientação social e ambiental. Estamos investindo no futuro e na construção da imagem. Ninguém fica bonzinho de um dia para o outro", diz Poernbacher.

OESP, 07/10/2004, Economia, p. B13

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