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Grupo quer revisao da lei de desapropriacao

CB, Brasil, p.17
03 de Dez de 2004

Grupo quer revisão da lei de desapropriação
Cerca de 30 representantes de entidades da sociedade civil entregaram ontem aos presidentes da República, da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal (STF) documentos com sugestões para a política de reforma agrária. O grupo reinvindica mudanças nos índices de medida de produtividade da terra. Além disso, apresentaram no Congresso Nacional projeto de lei complementar para modificar o processo de desapropriação de imóvel rural. A intenção é acabar com os conflitos por terra como o recente assassinato de sem-terra em Felisburgo (MG) e a destruição de comunidades da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol (RO).
Liderados pelo presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária, Plínio de Arruda Sampaio, o grupo foi recebido, pelo chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho. A proposta de modificação dos índices foi encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula adiantou que vai marcar audiência e estudar o pedido junto com os ministros da Agricultura e da Reforma Agrária.
Os índices de medidas são baseados no censo de 1974 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A falta de atualização dá margem para os donos de grandes propriedades justificarem os latifúndios. Hoje, se o fazendeiro tem animais soltos no terreno ou plantações espalhadas por grandes áreas, pode alegar que o latifúndio é produtivo, afirma Carlos Moura, secretário-executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz.
No Congresso Nacional, o grupo entregou um projeto de lei com modificações para a legislação agrária. Pela proposta, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) emitiria os registros de posse da terra logo após a desapropriação, por interesse social, para assentar famílias. Os sem-terra não acampariam às margens das estradas à espera de decisão judicial só porque os fazendeiros entram com ação de reintegração de posse, defende Plínio de Arruda Sampaio. Ele citou o caso dos sem-terra assassinados em Felisburgo que esperavam há dois anos uma decisão judicial por uma terra que era pública.
Ontem, o fazendeiro Adriano Chafik Luedy, de 37 anos, acusado de ser o mandante dos assassinatos em Felisburgo, no dia 20 de novembro, prestou depoimento e alegou legítima defesa. Porém, não convenceu o delegado Wagner Pinto, que preside o inquérito. No final da tarde, a polícia prendeu mais um suspeito de envolvimento na chacina. O vaqueiro Washington Agostinho da Silva, de 31 anos, foi preso no município de Pedra Azul, a 720 quilômetros de Belo Horizonte, onde Adriano Chafik Luedy, 37 anos, é dono da Fazenda Argentina.

CB, 03/12/2004, p.17

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