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GRUPO CASSOL DIZIMA ÍNDIOS E MATA PRODUTORES COM HIDRELÉTRICAS; MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL INVESTIGA DENÚNCIAS CONTRA EM

Rondoniagora-Porto Velho-RO
12 de mar de 2003

A dizimação de índios Tuparis, a mortandade de peixes, a degradação ambiental, a eletrocução de pequenos agricultores, a intimidação e o desvio do curso de rios, atribuídos ao Grupo Cassol, proprietário de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), na região da Zona da Mata de Rondônia, foram alguns pontos discutidos por representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MAP), Igreja Católica e Coordenação da União dos Povos Indígenas do Norte de Rondônia e Noroeste do Mato Grosso (Cunpir), no último sábado, em reunião reservada na Linha 47,5 do município de Alta Floresta.
Membros nacionais dos movimentos, de Santa Catarina e Brasília, constataram as denúncias contra a empresa do governador de Rondônia, Ivo Narciso Cassol. Cerca de cinqüenta pessoas participaram do encontro e elaboraram um fundamentado relatório sobre os crimes ambientais atribuídos ao Grupo Cassol. A construção de três Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) ao longo do Rio Branco, cada uma avaliada em R$ 22 milhões oriundos de financiamentos do Banco da Amazônia (BASA), estão atingindo mais de 150 famílias de pequenos produtores rurais e toda a reserva indígena dos Tuparis. Cerca de 487 índios, em 14 aldeias espalhadas pela reserva, estão sendo dizimados em função do impacto ambiental provocado pelas usinas Cassol. O cacique Samuel Tupari explicou que o Rio Branco, afluente do Rio Mamoré, está secando desde a construção da primeira PCH Cassol, há oito anos, impedindo a navegação no período de estiagem. A situação se agravou quando Cassol fez um desvio de água do Rio Branco para o Rio Vermelho, onde o grupo construiu mais uma usina para vender energia elétrica ao município de Santa Luzia. O acesso às tribos Tuparis só é possível pela água. O assoreamento não permite a saída dos índios da reserva. Na última seca, o isolamento causou a morte de três crianças índias. O clima é de muita tensão e revolta na reserva. "Não temos mais peixes para comer e a caça também está sumindo" - disse Samuel Tupari. O produtor Nicolau José dos Santos, do Km 7 da Linha 47,5, também denuncia a morte dos peixes do Rio Branco: "antes eu pescava Pintado, agora nem Piau consigo pegar". Para o produtor Ademar Dias Guimarães, membro do MPA, a destruição do rio trouxe muitas doenças. "Ninguém adoecia aqui. Agora todos estamos doentes com malária, dengue e todo tipo de doença provocada pela água que fica empoçada quando as comportas das usinas estão fechadas".
Todas as denúncias foram comprovadas pelo coordenador nacional do MAB, Joceli Andriole. Ele considerou grave a degradação ambiental na região. "Os produtores estão perdendo a parte mais fértil da terra: a margem do rio. Quando as comportas são abertas é grande a inundação nas propriedades. Todos aqui, índios e agricultores, não estão interessados em indenização. Muitos já abandonaram o local e foram viver na cidade, não podemos permitir o êxodo rural, que só trará mais problemas sociais ao País".

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