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Grupo brasileiro e referencia mundial em energia limpa

OESP, Negocios, p.B20
17 de nov de 2004

Grupo brasileiro é referência mundial em energia limpa
Balbo, de Sertãozinho (SP), produz eletricidade com o bagaço da cana
A opção por um modo de produzir cana-de-açúcar que respeitasse o ambiente e ainda explorasse o potencial ecológico dessa cultura levou o grupo sucroalcooleiro Balbo, de Sertãozinho (SP), a tornar-se referência mundial.
No ano passado, a Usina São Francisco, pertencente ao grupo, teve o projeto Cana Verde - considerado o maior empreendimento de agricultura orgânica no mundo todo - escolhido como modelo de projeto em mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Por meio da Bioenergia Cogeradora, braço gerador de energia elétrica para as usinas Santo Antônio e São Francisco, os rejeitos da produção da cana viraram combustível para geração de energia elétrica . O empreendimento, desenvolvido pela consultoria Hecta, recebeu investimentos de R$ 31 milhões e hoje produz 31 MW de energia. Desses, 20 MW são vendidos para a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e o restante é aproveitado pelas usinas.
A cogeradora queima mensalmente 720 toneladas de bagaço, resultante da moagem de 3 milhões de toneladas de cana. Com isso, já deixa de lançar na atmosfera 39,5 mil toneladas de CO2 equivalente/ano. Agora, se prepara para entrar oficialmente no mercado de emissões: contratou a consultoria Ecoinvest para atuar na prospecção de clientes para os créditos e está em negociação com a empresa que irá validar o projeto.
Num cenário pós-Kyoto, onde a oferta de certificados de emissão reduzida (CERs) poderá derrubar o preço desses papéis, o grupo Balbo prevê que terá um grande trunfo nas mãos: a maneira como vem conduzindo os negócios, de modo a levar em consideração as variáveis socioambientais. A empresa apostou firmemente na cultura orgânica ainda em meados da década de 1980, quando aboliu técnicas de produção agressivas ao ambiente, como a queima da cana e o uso de agroquímicos.
Com esse know-how, criou a marca Native (de açúcar, café e suco de laranja) e hoje possui seis certificados de excelência em agricultura orgânica. Já ganhou prêmios em ecoeficiência e garante a inexistência de trabalho infantil em suas fazendas, por meio do selo Abrinq.
A empresa ainda participa da pesquisa e desenvolvimento do processo de fabricação do primeiro plástico não-petroquímico biodegradável, obtido a partir da cana. Trata-se de uma parceria entre a Coopersucar, a Universidade de São Paulo e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
Assim, as boas práticas do grupo serão um diferencial na negociação dos certificados, acredita Clésio Balbo, diretor-financeiro da Usina São Francisco. "As empresas socialmente responsáveis dos países desenvolvidos vão preferir adquirir créditos provenientes de projetos sérios, sustentáveis", afirma Balbo. "Elas vão olhar para a qualidade do certificado, e nisso teremos um ganho."
Ele explica que, como os contratos de compra de créditos têm no mínimo dez anos de duração, terão preferência os projetos de empresas que têm compromisso com a sustentabilidade. "Nosso carbono será considerado mais nobre", garante Balbo.
OESP, 17/11/2004, p. B20

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