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Grupo abaterá 8% dos bois no mundo

OESP, Economia, p. B18
17 de Set de 2009

Grupo abaterá 8% dos bois no mundo
Nova empresa criada pelo JBS e Bertin poderia abater em um ano todo o rebanho bovino da Rússia

Alexandre Inacio

Nos bastidores da indústria frigorífica, a notícia da aquisição da Pilgrim's Pride e a fusão com a Bertin anunciadas ontem pela JBS Friboi geraram avaliações positivas e negativas do mercado. No caso da compra da Pilgrim''s, que atua basicamente no mercado americano de carne de frango, os impactos no Brasil, por enquanto, serão pequenos, para não dizer nulos. A empresa atua apenas nos Estados Unidos e representa 20% do comércio americano de carne de frango. ''A boa notícia é que o Brasil ganha uma empresa forte e líder mundial'', disse uma fonte.

O negócio com a Bertin, no entanto, despertou preocupação em muitos aspectos e vários elos da cadeia. Com a incorporação, a JBS terá uma capacidade instalada para abater 90,39 mil cabeças de gado por dia em todo o mundo, volume que representa aproximadamente 8% do abate mundial de gado. Com essa capacidade, a JBS poderia abater em apenas um ano de trabalho todo o rebanho da Rússia, décimo maior do mundo. Na prática, um em cada 13 animais abatidos no mundo sairá de uma das 82 unidades que a empresa passa a controlar a partir de agora, nos sete países em que está presente.

No Brasil, a nova estrutura e a presença que a JBS ganha é ainda maior A empresa passa a ter uma capacidade de abate de 43,4 mil cabeças por dia, ou seja, 10,85 milhões de cabeças por ano. Esse valor representa que a JBS, sozinha, pode ser responsável por 27% do abate bovino de todo o Brasil. Em termos práticos, um em cada quatro bois abatidos no País sairá a partir de agora de uma das 39 unidades existentes no território nacional. ''Lembro que há três anos os deputados federais reclamavam em Brasília que existia uma concentração na indústria frigorífica. Na época, se dizia que essa concentração não existia, mas que ela iria acontecer em algum momento. É o que estamos vendo agora'', disse a fonte.

Na disputa com as outras empresas do setor, JBS, Marfrig e BRF despontam como as maiores do Brasil. No segundo escalão, os frigoríficos que até então eram considerados ''médios'' passam a enfrentar uma situação bastante difícil, pois não conseguiram crescer como os líderes, mas possuem uma operação muito grande para atuar em nichos de mercado, como fazem as indústrias de pequeno porte. ''O que veremos no mercado são os grandes exportando aproximadamente 60% de sua produção e destinando os 40% restantes para atender as grandes redes varejistas do Brasil. Os pequenos atuarão em nichos no mercado externo e no pequeno varejo. Aqueles que não se enquadrarem em nenhum lugar provavelmente serão incorporados pelos grandes'', analisa a fonte.

MARFRIG

Antes de fechar o acordo com o JBS Friboi, o Bertin negociou um acordo parecido com o Marfrig. Mas, apesar de em alguns momentos o negócio ter sido dado como praticamente certo, acabou não sendo fechado. Segundo o presidente do grupo Bertin, Fernando Bertin, o acordo não saiu ''porque não se chegou a um modelo de gestão que fosse interessante para os dois lados''. Segundo fontes, o que aconteceu foi que nenhum dos dois grupos queria abrir mão do controle da nova empresa.

O acordo com o JBS foi relativamente rápido - de acordo com Bertin, as negociações duraram 40 dias. As duas empresas já tiveram uma joint venture, a BF Alimentos, iniciada em meados da década de 90 e encerrada em 2000. A BF foi formada, inicialmente, com a aquisição do Frigorífico Anglo, em Barretos (SP). A joint venture controlou as marcas Anglo, Bordon, Hereford, Swift e Sola.

OESP, 17/09/2009, Economia, p. B18

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