Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Loide Gomes
07 de Jun de 2005
Em greve desde a última sexta-feira, os servidores da Funai (Fundação Nacional do Índio) suspenderam, ontem, o pagamento das indenizações das famílias retiradas da reserva indígena Raposa/Serra do Sol. Os portões do prédio estão fechados com cadeado. Os servidores passam o dia do lado de fora, na garagem da sede local da Funai.
Segundo João Carlos Barbosa, do Comando de Greve, o pagamento foi suspenso porque venceu o prazo da portaria que criou uma comissão específica para esse fim. Os técnicos, que vieram da Funai de Brasília já retornaram para a capital federal.
A comissão veio para Boa Vista com a missão de pagar 28 indenizações no valor de R$ 1 milhão. Na sexta-feira, três fazendeiros receberam o valor levantado pela Funai para compensar pelas benfeitorias deixadas na reserva, mas nem todos vieram receber o dinheiro. João Carlos não soube informar quantas famílias foram pagas.
Ele destaca, no entanto, que no próximo dia 10 está prevista a criação de outras duas comissões. Uma para dar continuidade ao pagamento e a outra para iniciar o levantamento fundiário das famílias que ainda vivem na Raposa/Serra do Sol. "Se eles vierem, vão trabalhar mesmo com a greve", informa.
O Comando de Greve informa que todas as administrações regionais da Funai e a sede, em Brasília, aderiram à paralisação. Em Boa Vista, todos os servidores lotados na Capital cruzaram os braços para os serviços administrativos, mas continuam atendendo aos indígenas que chegam do interior.
A assistência prestada pela Funai nos postos localizados dentro das terras indígenas também está funcionando, para não prejudicar os índios. Entre os funcionários de Boa Vista, apenas o administrador local, Gonçalo Teixeira, está trabalhando.
A paralisação é por tempo indeterminado. Os servidores exigem a aprovação do Plano de Carreira Indigenista (PCI) para vigorar a partir desse mês, aprovação de recursos para o pagamento das progressões e promoções, aumento de cem por cento no valor das diárias, que hoje é de R$ 57,00, além da antecipação de 18% nas perdas salariais, paridade entre servidores ativos e inativos, implantação de piso salarial com base nos cálculos do Dieese e parcelamento, em três anos, das perdas salariais referentes ao período 1998/2005.
Reivindicam ainda: atendimento médico pelo plano de saúde da GEAP, que está suspenso por falta de acordo com a classe médica, que exige reajuste na tabela de preços. Por causa do impasse, todos os servidores públicos federais lotados em Roraima e que são atendidos por esse plano de saúde estão sem assistência médica.
Apesar da adesão de todos os estados, João Carlos disse que a presidência da Funai ainda não se manifestou sobre as reivindicações da categoria
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