Campo Grande News-Campo Grande-MS
07 de Jun de 2005
A presença das famílias guaranis nas áreas de conflito de Japorã, locais de difícil acesso, aliada a greve dos agentes de saúde da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), responsável pela saúde indígena, complicam ainda mais a situação da saúde das crianças indígenas no município, a 472 quilômetros. O secretário municipal de Saúde, Célio Evaristo disse que o município tem levado o leite e o sopão para a aldeia Porto Lindo e também para as áreas de disputa - fazendas Agrolak, Remanso e Paloma - são 3.885 indígenas em Japorã.
"Com a greve, a Funasa não chega até lá. A prefeitura tem um carro para atender as famílias, pois as crianças estão juntos com os pais nas áreas de conflito. Qualquer fator que venha a atrapalhar desanda a situação", declara o secretário.
A preocupação em decorrência da greve resultou nesta tarde em reunião dos secretários. Evaristo diz que tenta contato com os dirigentes da Funasa, em Dourados.
Evaristo explicou ainda que as cestas básicos têm sido insuficientes para atender as famílias muitas vezes compostas por 10 integrantes. Já a água potável não é problema, ao contrário de Amambaí, onde também há elevado índice de mortalidade. Em Japorã 80% da aldeia tem rede de água tratada, diz.
Em Japorã, segundo dados da mortalidade infantil que levam em conta os nascidos, ocorreram este ano 13 óbitos a cada 142 nascidos vivos. Tacuru registrou 14 óbitos para 211 nascimentos.
Selvíria foram 17 vivos e uma morte. Corguinho registrou 2 óbitos e em Douradina foram 85 nascidos e 5 óbitos. Na cidade de Amambaí o número de nascidos vivos este ano foi de 781 com 35 mortos.
De acordo a Funasa, de janeiro até o mês de março foram 54 mortes de crianças de zero até 5 anos nas aldeias de Mato Grosso do Sul. Duas tiveram a desnutrição como causa principal, 19 como patologia associada e 33 outras doenças. Uma força-tarefa do governo federal trabalha na região de Dourados para controlar o problema, uma ordem do presidente Luis Inácio Lula da Silva.
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