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Grande SP pode ganhar megaparque

OESP, Metropole, p.C8
20 de mai de 2005

Grande SP pode ganhar megaparque
Área às margens do Rodoanel, entre duas rodovias, é maior que o Ibirapuera
Marisa Folgato
A Grande São Paulo pode ganhar uma área verde na zona oeste de 1,5 milhão de metros quadrados - 400 mil m2 a mais que o Parque do Ibirapuera. "O governador Geraldo Alckmin já determinou que façamos um estudo para ver a possibilidade de transformar em parque um remanescente de mata atlântica às margens do Rodoanel, na altura do km 26, entre as Rodovias Raposo Tavares e Régis Bittencourt", disse o secretário estadual da Habitação, Emanuel Fernandes. Segundo ele, o estudo está na fase final.
Mas ambientalistas e moradores temem que a demora incentive invasões e a degradação (Veja nesta página) do local, que tem várias nascentes e animais.
A área da antiga Fazenda Tizo pertence à Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) desde 2001 e vem sendo alvo de uma batalha judicial. A CDHU já havia feito a concessão do terreno, que envolve cinco municípios - São Paulo, Embu, Cotia, Taboão da Serra e Osasco -, à Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp). Ela ia construir ali a Central Interligada de Abastecimento, um megaprojeto que previa até a instalação da Ceagesp.
Mas o Ministério Público entrou com ação em 2002 pedindo a preservação da área de mata atlântica secundária - ela havia sido destruída por olarias e plantações, mas se refez e está em estágio avançado de recuperação. Em setembro, o juiz deu sentença proibindo o parcelamento do solo.
Ele determinou medidas de preservação, delimitação e isolamento da área, a proibição do depósito de resíduos e a proteção da fauna e da flora. Pediu a destruição de construções e reflorestamento.
A CDHU recorreu e ainda não há resposta. "Foi só por dever de ofício. Já estamos estudando o parque, vendo como fazer a transferência da CDHU para a Fazenda do Estado", disse Fernandes. Só depois, o Estado pode passar a gestão do parque para a Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
TOMBAMENTO
Segundo o promotor de Meio Ambiente Carlos Henrique Prestes Camargo, o juiz, na sentença, não aceitou apenas o tombamento da área pedido pelo MP, por entender que a medida cabia ao poder público e não ao Judiciário. "Acabo de recorrer ao Tribunal de Justiça pelo tombamento."
O promotor enviou ofício pedindo a volta da segurança ao local que, segundo vizinhos, foi retirada há dois meses. Por conta disso, ocorreram invasões e construções, já derrubadas. Ficou só um barzinho na Avenida Engenheiro Heitor Antonio Eiras Garcia.
A CDHU nega a interrupção da vigilância. Na terça-feira, o Estado encontrou vigias da companhia em um barraco na Eiras Garcia. Eles disseram ter voltado a trabalhar na semana passada.
Falta de coleta de lixo e de esgoto afeta floresta
INVASÃO: Entre os trechos de mata atlântica da Fazenda Tizo e da área de Taboão da Serra (Veja abaixo), há uma favela, a Vila Nova Esperança, onde vivem 400 famílias em condições precárias. Tão ruins que comprometem a floresta. Esgoto e lixo se acumulam na mata. "Se nada for feito, vai haver mais invasões e destruição", disse o biólogo Renê Costa, que estuda a Tizo para seu mestrado na USP. A água da favela vem de mangueiras ilegais e a luz, de gatos feitos numa rede tão distante que a energia chega fraquinha. "Ninguém toma banho quente", diz o pedreiro Valdemir Monteiro. Caminhões jogam entulho também

OESP, 20/05/2005, p. C8

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