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Grande aterro gera protestos no cinturão verde de SP

GM, Gazeta do Brasil, p. B13
28 de Abr de 2005

Grande aterro gera protestos no cinturão verde de SP

Queiroz Galvão projeta obra de 2 milhões de m²; moradores se mobilizam contra. Moradores e agricultores do leste da Grande São Paulo - conhecida como cinturão verde - realizaram uma carreata ontem em protesto contra projeto de construção de um aterro sanitário de grandes proporções no município de Mogi das Cruzes. Cerca de 180 carros e dois ônibus saíram de condomínios horizontais de luxo para pedir ao prefeito da cidade, Junji Abe (PSDB), que vete o projeto. Para moradores, a obra ameaça o ambiente em um dos municípios de melhor qualidade de vida na região metropolitana.
Elaborado pela Construtora Queiroz Galvão, o empreendimento tem grandes dimensões. Chamado Centro de Tratamento de Resíduos (Centres), o aterro reunirá 2 milhões de metros quadrados - o que equivalente à área de 234 estádios do Maracanã, no Rio. De acordo com a construtora, só 1/3 da área será utilizada. O restante seria reflorestada.
O empreendimento está em fase de elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/RIMA) por meio de uma equipe multidisciplinar, que apresentará o resultado à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Cestesb).
Moradores dos condomínios temem a desvalorização dos imóveis, além dos transtornos do impacto de uma obra de grandes proporções. Os agricultores da cidade, que forma o cinturão verde da Grande São Paulo, temem a contaminação dos mananciais e lençóis freáticos pelos resíduos do aterro.
Ambientalistas da região afirmam que o Centres também ameaça a fauna e a flora. Umas das espécies nativas ameaçadas seria a do sagui-escuro-da-serra. A região tem áreas preservadas da Mata Atlântica, pois está próxima à Serra do Mar.
Ao receber os manifestantes ontem, o prefeito de Mogi das Cruzes afirmou ser a favor do projeto, desde que o Centres receba apenas resíduos produzidos na cidade. Existe a possibilidade que o aterro sirva de depósito para o lixo de 40 cidades da região metropolitana de São Paulo - informação que a Queiroz Galvão não confirma nem nega.
A construtora afirma que a obra não traz nenhum risco à população. Ao contrário, o aterro traria benefícios ao município e à região em vez de problemas. "Trata-se de uma obra de engenharia moderna e que atenderá a todas as rigorosas exigências da legislação ambiental em vigor e que não oferecerá riscos de contaminação para o meio ambiente", informou.
A Queiroz Galvão afirmou, ainda, que não haverá contaminação, nem qualquer dano ao meio ambiente. "O solo será impermeabilizado com uma moderna tecnologia e também não haverá riscos para as nascentes, lençóis de água e para a vegetação." Segundo ela, a escolha da área levou em conta a impermeabilidade do solo, a predominância de pastagem, a ausência de animais em extinção. " Não haverá mau cheiro. Os odores são controlados com a cobertura dos resíduos".

kicker: Construtora afirma que não há motivo para pânico de moradores e agricultores, pois aterro não trará prejuízos ambientais à região

GM, 28/04/2005, Gazeta do Brasil, p. B13

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