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Governo vai concentrar esforços no sul do Pará

OESP, Nacional, p. A9
16 de Mar de 2004

Governo vai concentrar esforços no sul do Pará
Força-tarefa foi enviada à região, uma das que mais registra conflitos de terra no País

CARLOS MENDES
Especial para o Estado

O Ministério do Desenvolvimento Agrário decidiu concentrar no sul do Pará suas forças para dar um novo rumo à reforma agrária no País.
É nessa região que cerca de 20 mil famílias cobram do governo federal uma política capaz de tirá-las das barracas de lona onde vivem de maneira precária em 110 fazendas invadidas e ocupadas há pelo menos oito anos. É gente sem atendimento à saúde, escolas, crédito para plantar e estradas.
Pressionado pelos movimentos sociais e temeroso de uma explosão de violência ainda maior na luta pela posse da terra - foram cem assassinatos nos últimos sete anos - o Incra deslocou na semana passada para a região uma força-tarefa composta por 32 servidores do órgão, lotados na Bahia, Paraná, Amazonas, Distrito Federal, Roraima, Acre e Pará.
Além de cadastrar as famílias de agricultores que ocupam as terras, mas ainda não constam dos arquivos do governo, os técnicos vão identificar áreas da União para ser transformadas em projetos de assentamento. "Queremos traçar um novo mapa fundiário da região", explica a superintendente do Incra em Marabá, Bernadete ten Caten. Ela disse que o trabalho inclui também o resultado das vistorias feitas no ano passado e cujos processos estão paralisados por falta de pessoal.
Os municípios de Rondon do Pará, Abel Figueiredo e Bom Jesus do Tocantins, localizados às margens da rodovia BR-222, são os primeiros visitados. É neles que se concentram grandes fazendas e os conflitos entre pecuaristas e agricultores do Movimento dos Sem-Terra (MST) e à Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri).
Segundo Bernadete, o Incra irá checar a validade dos títulos de terra hoje em poder dos fazendeiros. "As terras são públicas, do Estado e da União e serão recuperadas para assentamento dos trabalhadores rurais."

OESP, 16/03/2004, Nacional, p. A9

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