Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
04 de Mai de 2005
Na avaliação do deputado federal Rodolfo Pereira (PDT), o governo utiliza critérios diferentes no trato com indígenas da mesma região. Disse que nesse aspecto o governo privilegia quem contraria os interesses nacionais. Diante do processo de despovoamento das fronteiras, o parlamentar defende que as forças armadas orientem o presidente da República, Lula da Silva (PT), quanto ao contencioso que o país poderá deixar para as gerações futuras.
O parlamentar lembra que alguns anos atrás, na área Raposa/Serra do Sol, indígenas ligados ao Conselho Indígena de Roraima (CIR) praticaram atos criminosos e nunca foram responsabilizados. Entre estes casos, falou de torturas comprovadas pela polícia contra agricultores familiares e garimpeiros e da derrubada da torre que permitia a ligação através de telefone entre moradores da região e a Capital.
"Uma ponte foi incendiada e nela duas pessoas, um trabalhador rural e uma criança morreram queimados. Diante desses crimes perversos, o Governo Federal não adotou qualquer medida para coibir a violência, na época, vista como manifestação legítima dos índios. Também não indenizou as famílias ou processou os responsáveis pela depredação do patrimônio público. Agora por esta manifestação da Sodiur em defesa da soberania nacional, o governo põe uma aldeia em iminência de guerra, requisitando até forças militares", declarou.
Conforme o parlamentar, questões desse tipo são rotineiramente descritas em audiências públicas ou nas comissões técnicas da Câmara Federal. Mas, sempre aparece alguém ligado a Ong's para contestar a verdade. A partir daí, o deputado se permite cogitar as hipóteses de que o Governo Federal não tem um sistema fidedigno de informações, se recusa aceitar a verdade ou acata mentiras para definir sua política indigenista.
O deputado acredita que ninguém em Roraima seja contrário à demarcação de terras indígenas. Para ele, o que a sociedade quer é a justa definição das áreas onde o Estado possa criar um programa de desenvolvimento. E mais, que a União crie alternativas econômicas nas reservas evitando que índios morram de fome como acontece Brasil afora. Os mesmos que defendem a demarcação de extensas reservas - diz o parlamentar - no futuro serão as espadas prontas para cortar o pescoço do Governo Federal ou do território brasileiro, quando o país não puder atender as comunidades indígenas.
"Mas, vamos lutar como patriotas. Vamos acompanhar a tramitação dos projetos de Decreto Legislativo que a bancada entregou na Câmara e no Senado e trabalhar junto ao Poder Judiciário. Como o problema não é só de Roraima, vamos recorrer ao Congresso Nacional em busca de uma solução definitiva para a questão, com respeito aos entes federados. Essa história de desenvolvimento sustentável é uma sutileza para dizer aos mais humildes que eles devem ser pobres o resto de suas vidas ou buscar áreas longe das riquezas de seus estados e da perspectiva de um dia crescer social e economicamente", declarou Rodolfo Pereira.
A partir de Roraima pelo menos uma parcela da sociedade brasileira vê com preocupação o esvaziamento das fronteiras. Rodolfo diz que enquanto os Estados Unidos mantêm forças policiais para guarnecer e impedir que alguém entre ilegalmente no país, o Brasil age de forma contrária. "O governo brasileiro esvazia a faixa de fronteira, especialmente nas regiões onde estão identificadas grandes jazidas minerais ou de alto potencial de desenvolvimento do setor produtivo primário", comentou.
O parlamentar entende que o setor de inteligência do país deve estar atento para este aspecto porque os gestores não podem deixar um contencioso territorial para as futuras gerações.
"Cabe um apelo aos comandantes das Forças Armadas para orientarem o presidente. O governo está fragilizando a defesa do nosso território. Deixar só a população indígena, pobre como ela é numa área grande, rica e acessível, de repente ela poderá ser ocupada por qualquer tipo de invasor. Pior é imaginar as dificuldades que teremos em desalojar uma organização minimamente preparada em torno de seus objetivos", analisou Rodolfo Pereira
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