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Governo reconhece 180 línguas indígenas no Brasil

A TARDE On Line
Autor: Tássia Novaes
02 de Dez de 2007

O governo federal reconhece 180 línguas indígenas, distribuídas em 41 famílias, dois troncos lingüísticos e dez línguas isoladas. Alguns povos falam mais de uma língua, outros são monolíngües. "Os meninos aprendem a ler e escrever, em português, relacionando com os elementos da cultura Tupinambá", explica o índio Leonardo Gonçalves de Jesus, o Tamanduá.

De acordo com o MEC, a implementação dessa política tem como objetivo assegurar a oferta de uma educação de qualidade aos povos indígenas, proporcionando acesso aos conhecimentos universais, a partir da valorização da língua materna e saberes tradicionais.

Tamanduá reconhece que na comunidade onde vive o acesso a educação não é precário como em outras regiões do Brasil. "Nossa comunidade está bastante inserida, temos voz. Fazemos um trabalho de base com os jovens. É uma pena que essa não seja a realidade do país", comenta.

Segundo o coordenador estadual de Políticas para Povos Indígenas, o pataxó Jerry Matalawe, o norte da Bahia é a região mais desfavorecida do estado. "Faltam escolas na região de Ribeira do Pombal e Euclides da Cunha", revela.

Ele próprio é um exemplo de vitória e orgulho para a comunidade indígena. Natural de Coroa Vermelha, próximo a Porto Seguro, Matalawe foi o primeiro pataxó a concluir o ensino superior no Extremo Sul da Bahia. "Me formei em Ciências Sociais em 2006, é muito recente", enfatiza.

Outros dez índios devem se formar até o fim de 2008 na Bahia. No país, já são cerca de 3 mil graduados. "É preciso investir na educação. Isso influencia diretamente nas condições de vida dos povos indígenas. Muitos saem para a cidade em busca de emprego, mas não tem qualificação e acabam marginalizados", explica.

Matalawe lembra ainda que em Porto Seguro, primeiro destino turístico mais procurado do Nordeste, de acordo com Emtursa, os índios vivem de subempregos justamente por falta de capacitação técnica. "Fazem parte do mercado informal, como venda de artesanatos feitos nas aldeias, mas não ocupam cargos nos hotéis e restaurantes da região", diz.

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