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Governo quer apuração rápida da causa da morte de Apoena Meireles

Radiobrás-Brasília-DF
11 de Out de 2004

O secretário executivo do ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, vai pedir que a Polícia Federal e a Polícia Civil da Rondônia apurem o mais rápido possível as causas do assassinato do indigenista Apoena Meireles, morto na noite de sábado (10) em Porto Velho (RO). "Os indícios apontam realmente para um latrocínio (roubo seguido de morte), mas todas as hipóteses serão investigadas", afirma.

Apoena Meireles estava há dez dias em Rondônia, com a missão de explicar aos índios cinta-larga a recente decisão do governo de fechar os garimpos da região. Ele trabalhava como coordenador da Operação Roosewelt, que pretendia encontrar os responsáveis pela chacina que vitimou 29 garimpeiros no início deste ano e encontrar uma solução viável para o problema da extração de diamantes, hoje dominada por contrabandistas brasileiros e estrangeiros.

"Nós estamos negociando com os índios uma maneira de fazer uma exploração racional do garimpo que evite a destruição do meio ambiente e de sua cultura, como vinha ocorrendo no confronto com os garimpeiros", afirmou Barreto. Apoena Meireles havia sido designado pela Funai - Fundação Nacional do Índio para tentar buscar a pacificação junto aos índios.

"O Apoena é uma figura luminar do indigenismo brasileiro, um herói que vai fazer falta ao Brasil, à Funai e ao indigenismo. Ele era uma pessoa que tinha capacidade de diálogo, porque entendia, sabia ouvir e dizer a coisa própria e não era paternalista. Ele acreditava nos índios como parte do futuro do Brasil", disse o presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, durante o velório do indigenista nesta segunda-feira (11), em Brasília (DF).

Índios de diversas etnias cantaram e dançaram no velório de Apoena Meireles, na sede da Funai, prestando a última homenagem. Às 17h desta segunda-feira, o corpo do sertanista chegou ao Rio de Janeiro (RJ). O enterro será nesta terça-feira (12), às 10h, no Cemitério do Caju, na zona portuária do Rio.

A Funai ainda não decidiu quem irá substituir Apoena Meireles na coordenação dos trabalhos em Rondônia e na missão junto aos índios Cintas-Largas, para comunicar a decisão do governo federal de fechar o garimpo e de buscar nova legislação que estabeleça racionalidade no processo de mineração. A área é rica em minerais como cassiterita, ouro e diamantes.

Para índios, assassinato de Apoena está ligado ao garimpo

O presidente da Coordenação da União dos Povos Indígenas de Rondônia, Noroeste do Mato Grosso e Sul do Amazonas (Cunpir), cacique Almir Suruí, de 30 anos, disse nesta segunda-feira (11) que os índios não acreditam que o sertanista Apoena Meireles foi morto em um assalto.

Segundo ele, o crime está relacionado à jazida de diamantes existente na reserva Roosevelt, onde vivem os índios cintas-largas, a cerca de 500 quilômetros de Porto Velho (RO). "Com a morte de Apoena, o garimpo de diamantes deverá ser reaberto. Ele era contra a garimpagem ilegal e isso contrariava interesses de grupo poderosos. Não posso dar nomes, porque também tenho medo de morrer", disse o presidente da Cunpir, ONG que congrega cerca de 10 mil índios.

Suruí acrescentou que a Funai precisa designar com urgência alguém que tenha a confiança dos cintas-largas para atuar na reserva. "No Apoena, dava para confiar. Em muitos outros, é difícil. Haviam prometido que o garimpo seria regularizado, e depois voltaram atrás. Como acreditar no pessoal do governo?", indagou.

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