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Governo prepara programa para incentivar uso de carros elétricos

OESP, Negócios, p. B16
20 de Mai de 2010

Governo prepara programa para incentivar uso de carros elétricos
Projeto. Programa que será anunciado na semana que vem vai propor a redução gradativa dos impostos para os veículos e também investimentos em pesquisa e desenvolvimento, com a criação de um centro de tecnologia automotiva no País

Nicola Pamplona
Rio

O governo pretende lançar na próxima semana um programa de incentivo ao desenvolvimento de veículos elétricos no País. Segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que faz parte de um grupo criado no fim de 2009 para discutir a questão, o programa trará recomendações ao governo no sentido de viabilizar o desenvolvimento da tecnologia e disseminar seu uso.
A inserção do carro elétrico foi tema de um dos painéis do XXII Fórum Nacional, realizado no Rio. Foi consenso entre os participantes que o Brasil está atrasado em relação a países desenvolvidos. Em dezembro, o governo criou um grupo de trabalho com representantes dos ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, de Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente e das montadoras para iniciar as discussões sobre a questão.
Segundo Barbosa, uma das ideias do grupo é seguir, no mercado automotivo, modelo de benefício fiscal concedido a geladeiras com menor consumo de energia. "Vamos instalar um sistema de etiquetagem compulsória de veículos, indicando o consumo de cada um", informou. A partir dessa classificação, os carros terão tabelas diferenciadas de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Hoje, o carro elétrico tem alíquota superior a outras categorias (25%).
A ideia é promover uma redução gradativa de IPI, até que chegue ao mesmo nível dos veículos bicombustíveis ou até menor, disse Barbosa. Ele frisou, porém, que o movimento deve ser feito em ritmo lento, para evitar inundação do mercado por carros importados. "Tem de ser num ritmo que incentive a produção nacional", explicou.
Nesse sentido, o programa que será anunciado na semana que vem vai propor também investimentos em pesquisa e desenvolvimento, com a criação de um centro de tecnologia automotiva, com função semelhante à que tem a Embrapa na busca por novas tecnologias agropecuárias. O governo também quer incentivar o desenvolvimento de um motor híbrido com eletricidade e biocombustíveis.
Outra proposta será usar as compras governamentais para criar demanda pelos veículos híbridos. Nesse caso, a medida deverá envolver governos estaduais e municipais, que são os responsáveis pelo transporte público. Uma última proposta é a inclusão da tecnologia no planejamento energético nacional, que terá de pensar soluções de infraestrutura para atender a nova demanda.
Neste último quesito, Barbosa lembrou que o crescimento do consumo de energia é pequeno. Estudos da hidrelétrica de Itaipu indicam que, se 10% dos carros brasileiros fossem movidos a energia elétrica, a demanda adicional de energia seria de 0,2%. São necessários, porém, pontos de abastecimento com voltagem superior a 220 volts para que o carregamento das baterias não dure muito tempo.
Ajuda governamental. Em visita ao Brasil no mês passado, o presidente mundial da Renault/Nissan, Carlos Ghosn, assinou convênio com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para estudos de viabilidade de infraestrutura para carros elétricos.
Ghosn disse que nenhum país conseguirá adotar a tecnologia sem ajuda governamental. Os países que apostam nessa tecnologia já estão anunciando subsídios às empresas e aos consumidores.
Os Estados Unidos, por exemplo, vão disponibilizar 22,2 bilhões para pesquisa e desenvolvimento para carros elétricos, além de descontos aos compradores. A França anunciou US$ 2,2 bilhões para projetos e a Alemanha, 600 milhões.
/ Colaborou Cleide Silva

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100520/not_imp554107,0.php

Carro elétrico ainda não é viável economicamente

Cenário: Cleide Silva

A preocupação do governo brasileiro em diversificar a matriz energética brasileira é importante. Ter um leque de ofertas de combustíveis alternativos para movimentar a frota de veículos dará ao consumidor mais opções de escolha, além de ajudar o meio ambiente. Porém, há passos a serem seguidos. O carro elétrico, aposta principalmente dos EUA e da Europa, ainda não é economicamente viável. Seu custo é elevado, não há rede de abastecimento e não se sabe direito o que fazer com as baterias quando forem descartadas.
Vários países anunciaram elevados subsídios para a compra do carro elétrico. A China e a Espanha, por exemplo, prometem cerca de US$ 8 mil (R$ 14,7 mil, pela cotação de ontem) em descontos, além de incentivos para as empresas no desenvolvimento da tecnologia e rede de distribuição de energia. Mesmo com subsídios, o Nissan Leaf - um dos primeiros modelos elétricos a ser oferecido em maior escala -, deve custar, na Europa, 30 mil (R$ 37,2 mil).
O governo brasileiro, para cortar temporariamente o IPI do carro popular (de 7%) e reduzir à metade o de modelos mais potentes, enfrentou críticas dentro e fora de casa. Hoje, o IPI do carro elétrico seria de 25%.
As montadoras estão investindo no aperfeiçoamento do carro flex por acreditar ser esta uma opção viável ao País até que se encontre uma solução melhor, levando em conta o poder de compra dos brasileiros. Elas não precisam gastar dinheiro no desenvolvimento de carros elétricos porque vão adotar a tecnologia de suas matrizes, quando houver interesse. Dependendo da demanda, podem importar para atender nichos específicos do mercado. A produção só é viável se tiver escala.
Já o veículo híbrido (movido a eletricidade e outro combustível que pode ser gasolina, etanol ou diesel) não atrai as fabricantes nacionais. Para elas, o País pode pular essa etapa. O híbrido é uma solução só para quem não tem o flex, disse recentemente, durante visita ao Brasil, o presidente mundial da Renault/Nissan, Carlos Ghosn.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100520/not_imp554108,0.php

OESP, 20/05/2010, Negócios, p. B16

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