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Governo Lula ignora índios, diz Conselho

Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: EDUARDO NUNOMURA
15 de Out de 2003

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgou ontem uma nota na qual condena ações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva na questão indígena. A entidade acusa o governo de ceder a "interesses políticos e econômicos", provocando aumento da violência contra os índios. Segundo o Cimi, só neste ano foram mortos 23 índios, número superior à "soma dos últimos dois anos do governo Fernando Henrique Cardoso".

Em nota anterior, na semana passada, o Cimi condenava a portaria assinada dia 9 pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que reduziu em 307 mil hectares a Terra Indígena Baú, no sul do Pará. A redução é resultado de um acordo entre líderes de caiapós, fazendeiros, madeireiros, políticos e a prefeitura de Novo Progresso. Com a portaria, a Reserva do Baú, ocupada por cerca de 120 índios, ficará com 1,54 milhão de hectares. Para o Cimi, a decisão de Bastos representou um ato de "extrema gravidade, tornando temeroso todo e qualquer procedimento de demarcação de terra indígena".

Para o coordenador do Cimi Regional Norte, Claudemir Teodoro do Couto Monteiro, a portaria pode servir de precedente para que outras áreas indígenas ainda não homologadas sejam reduzidas de tamanho. O caiapó Megaron Txucarramãe, que conversou com líderes da reserva, diz que os índios decidiram aceitar a redução da área para pacificar a região.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Novo Horizonte, Agamenon Menezes, divulgou nota de repúdio à posição do Cimi e disse que o acordo deve restabelecer a paz. "Esse acordo deve servir de exemplo para o País, pois mostra que os índios também querem negociar", afirmou o prefeito de Novo Progresso, Juscelino Alves Rodrigues.

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