O Liberal-Belém-PA e Agência Estado-São Paulo-SP
05 de Mai de 2005
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos disse ontem que o governo homologará mais três áreas - Anarô, Trombetas e Mapuera - e encerrará o processo demarcação de terras indígenas em Roraima. Ele afirmou que a homologação da Raposa Serra do Sol é uma decisão consumada e um ponto de partida para construir na região um processo de preservação da reserva, de 1,747 milhão de hectares.
"Vamos fazer o que nunca foi feito: construir um quadro de clareza fundiária em Roraima", disse Bastos, que ontem recebeu em seu gabinete os quatro policiais federais mantidos como reféns durante nove dias na comunidade Flexal, na reserva Raposa Serra do Sol.
O ministro não acredita em novos conflitos e garante que a partir das ações do governo - implementadas por um grupo de gerenciamento integrado por vários ministérios - empresários e produtores encontrarão em Roraima um quadro de segurança para investir no setor agrícola.
Desmonte - O superintendente da Polícia Federal no Estado, José Francisco Mallmann, disse que a libertação dos policiais deu início a um período de trégua na região e anunciou que até amanhã todos os policiais de outros Estados mobilizados para a operação já terão deixado a Raposa Serra do Sol.
O delegado Alex Sandro Biegas, o perito Alexandre Henrique Sausmikat, o escrivão Narcísio Luiz Sridrich e o papiloscopista Ivan Caldas, contaram ao ministro detalhes sobre os nove dias de cativeiro. Segundo eles, pouco antes do desfecho do caso, os índios flecharam a porta da casa de apoio onde os quatro estavam isolados.
Preventiva - Um inquérito que corre em Roraima apura o envolvimento de autoridades locais e do prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero - um dos maiores produtores de arroz do Estado, dono de duas fazendas na Raposa Serra do Sol - com o seqüestro dos policiais. Mallmann confirmou ontem que a Polícia Federal pediu a prisão preventiva de Quartiero em um dos quatro inquéritos que apuram os conflitos indígenas em Roraima. A decisão está nas mãos do desembargador Ítalo Fioravante, do Tribunal Regional Federal (TRF) de Brasília.
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