O Globo, Economia, p. 28
05 de Jul de 2013
Governo federal vai fazer leilão de térmicas a carvão
Pela primeira vez nos últimos cinco anos, o governo federal vai realizar um leilão para oferta de energia elétrica com usinas a carvão. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse ontem que o leilão para oferta de energia para 2018, a ser realizado em agosto, contemplará principalmente usinas térmicas a gás natural, biomassa e carvão.
Tolmasquim explicou que a oferta para projetos de geração de térmicas a carvão é necessária porque vários projetos de usinas hidrelétricas não conseguiram ainda licenças ambientais. Além disso, as térmicas a gás não se mostram viáveis por não apresentarem preços competitivos, já que a maior oferta é de GNL (Gás Natural liquefeito), mais caro.
- O mercado precisa ter a garantia do suprimento da energia, então foi necessário incluir usinas a carvão, além das de biomassa e a gás natural - afirmou Tolmasquim, que participou de seminário sobre a matriz energética realizado ontem na Fundação Getulio Vargas (FGV).
Mas, em dezembro, a EPE pretende realizar outro leilão para ofertar energia também para 2018 com algumas usinas hidrelétricas, como a de São Samuel, entre outras.
Tolmasquim destacou a decisão de desligar 34 usinas térmicas a óleo que, além de outras cinco já desligadas, vai representar uma economia de R$ 1,4 bilhão por mês. No total, serão menos 3.800 megawatts de geração térmica a óleo.
- É um paradoxo ambiental, mas isso representa a escolha que faz a sociedade - disse Tolmasquim, referindo-se ao fato de que a não construção de hidrelétricas por falta de licenças ambientais leva o país a construir usinas a carvão, além de usar também térmicas a óleo, mais caras e mais poluidoras.
Sem novas usinas nucleares
O presidente da EPE descartou a construção de novas centrais nucleares no Brasil no curto prazo. Segundo Tolmasquim, a energia nuclear ainda é muito cara e existem outras alternativas.
No último estudo de planejamento energético, até 2030, a EPE previa a necessidade de se construir entre quatro e oito usinas nucleares no Brasil com capacidade de mil megawatts cada. Mas agora, Maurício Tolmasquim deixou claro que a necessidade dessas usinas deverá sair do horizonte de 2030.
- A energia nuclear ainda é muito cara. E tem ainda alguns problemas a solucionar, como a questão de rejeitos. A curto prazo tem outras alternativas mais interessantes. (Ramona Ordoñez)
O Globo, 05/07/2013, Economia, p. 28
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