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Governo esta tonto diante da crise, diz Correa

OESP, Nacional, p.A5
21 de Abr de 2004

'Governo está tonto diante da crise', diz Corrêa Para presidente do STF, falta ação governamental para enfrentar atual intranqüilidade no País
MARIÂNGELA GALLUCCI
BRASÍLIA - A menos de um mês de deixar o cargo, por força de aposentadoria compulsória, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, acusou o governo de ser "leniente" e de "estar um pouco tonto" diante da crise provocada pela onda de invasões promovidas por sem-terra e sem-teto, pelo massacre de garimpeiros em Rondônia e pela insegurança nas grandes cidades, principalmente no Rio de Janeiro. "Tudo se traduz no seguinte: falta de ação governamental, falta de políticas definitivas que possam atender a essa intranqüilidade que está sendo gerada hoje no Brasil", disse.
"Há prenúncio de que corre risco o Estado de direito democrático que foi construído. Eu não falo isso com nenhum alarme, espero que não aconteça, mas essa leniência do governo com relação a medidas mais enérgicas que têm de ser enfrentadas com relação às invasões e os crimes que têm sido cometidos, isso não é algo que possa deixar a cidadania brasileira tranqüila", afirmou Corrêa.
O presidente do STF observou que o governo não tem correspondido às expectativas da população com relação à reforma agrária. "Hoje o Brasil possui algo extraordinariamente significativo no campo do desenvolvimento da economia, o agronegócio. Se hoje conseguimos uma boa produção de soja, e outros itens do agronegócio, tudo isso pode ser prejudicado com uma política que realmente não está correspondendo a essa expectativa do agricultor", disse. "O abril vermelho não era apenas uma ameaça, era uma realidade."
Indagado se considera que o governo passa por uma crise de autoridade, o presidente do STF respondeu: "Se se entender que a falta de uma política imediata para conjurar essa crise é falta de autoridade, eu diria que sim.
Acho que o governo se encontra nesse momento um pouco tonto. Não soube ainda dominar a situação."
Frustração - Ele afirmou que esse quadro poderá frustrar os eleitores de Lula. "Pôs-se esperança acerca dessas promessas e nada está se concretizando", disse. "Posso dizer que se continuarem as coisas como andam, corre o Brasil o risco de chegar a um ponto de grande frustração, com essas crises que estão surgindo, como falta de emprego.
Prometeu-se resolver o problema do emprego, não se resolveu. Prometeu-se resolver a questão social como um todo, não se atacou esses pontos."
Corrêa, que foi ministro da Justiça no governo Itamar Franco, também comentou a morte de garimpeiros em Rondônia. "Se um de lado tem de preservar as reservas indígenas, por outro também tem de se garantir a vida daqueles cidadãos miseráveis que estão em busca de uma sobrevivência."

OESP, 21/04/2004, p. A5

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