O Globo, Economia, p. 25
11 de Fev de 2014
Governo diz que, mesmo com seca, energia está garantida
Em nota, Ministério de Minas e Energia (MME) critica "notícias, análises e especulações sobre o setor elétrico brasileiro"
Quantidade de água nos reservatórios continua menor
Mônica Tavares, Danilo Fariello e Henrique Gomes Batista
BRASÍLIA E RIO - O Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou que o abastecimento de energia no Brasil está garantido mesmo com a redução da quantidade de água que está chegando aos reservatórios das usinas hidrelétricas por causa da seca deste ano. Em clara demonstração de preocupação com as notícias sobre o risco de desabastecimento, o governo criticou o que chamou de "especulações" veiculadas pela imprensa no fim de semana. "Apesar das adversidades climáticas que o país enfrenta, com a consequente redução da afluência hídrica aos reservatórios, o fornecimento de energia elétrica do país está assegurado, em quantidade e qualidade necessárias", diz a nota do MME.
O posicionamento do ministério ocorreu depois que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou em relatório, na noite de sexta-feira, que a forte demanda de energia poderia indicar a necessidade de 5% de racionamento. De acordo com o ONS, o preço da energia extra teria subido muito fazendo frente ao consumo maior das regiões Sudeste e Centro-Oeste. Assim, o custo superou o parâmetro técnico da Aneel, que indica racionamento nestes casos.
A informação do ONS era de que na semana entre os dias 8 e 14 deste mês, em comparação com a situação da semana anterior, haveria uma queda das afluências em todos os subsistemas - Sul, Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste - com exceção do Norte. Especificamente para o Sudeste/Centro-Oeste, janeiro de 2014 foi a "pior afluência média mensal de todos os meses de janeiro do histórico de 1931 a 2013" , o que deve se repetir em fevereiro.
A nota do ministério informa ainda que o setor elétrico nacional tem cerca de 127.000 megawatts (MW) de capacidade instalada de geração, e mais de 116.000 quilômetros (km) de linhas de transmissão em funcionamento. "O planejamento do setor elétrico brasileiro considera um cenário conservador em relação ao consumo de energia", diz a nota. Explica ainda que o planejamento é feito para que sempre tenha um "excedente de energia, o que garante o suprimento mesmo com eventuais atrasos de algumas obras de geração".
O ministério diz ainda que por causa da grande expansão "da capacidade de geração e transmissão, o sistema elétrico brasileiro tem equilíbrio estrutural entre oferta e demanda". E isto, segundo ele, "representa segurança para o abastecimento do país".
Privatização
Consultoria contratada junto ao banco Santander propôs à Eletrobras que o controle das suas sete distribuidoras de energia seja vendido, sendo mantida uma participação minoritária ainda no capital dessas empresas, segundo informou nesta segunda-feira o representante dos acionistas preferencialistas no conselho de administração da companhia, José Antonio Lian, após uma reunião do grupo em Brasília.
O resultado das distribuidoras da Eletrobras têm prejudicado os balanços da companhia e o governo tem procurado uma saída para essa situação. A venda das distribuidoras enfrenta resistência no governo, por temor de que a operação seja interpretada como uma "privatização". Segundo Lian, a definição deverá ser tomada "provavelmente" apenas depois das eleições deste ano.
- A Eletrobras é confundida como uma autarquia, apesar de ser uma sociedade mista de capital aberto, em que o poder concedente é, ao mesmo tempo, o controlador da Eletrobras, o que é um conflito permanente - disse Lian.
O presidente do conselho da Eletrobras, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, e o presidente da empresa, José da Costa, foram informados sobre as declarações de Lian, após a reunião do conselho, e não quiseram comentá-las.
O documento do ONS também informa que a demanda de energia para fevereiro deve crescer 15% em relação ao mesmo mês do ano passado, motivados pela onde de calor.
O Globo, 11/02/2014, Economia, p. 25
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