OESP, Vida, p. A17
07 de Nov de 2007
Governo discutirá lista de flora
Relação de espécies ameaçadas feita por cientistas estava parada havia 2 anos
Herton Escobar
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai marcar uma reunião com especialistas da área de botânica para reavaliar a lista de espécies ameaçadas da flora brasileira. O levantamento foi submetido há dois anos pela comunidade científica, mas nunca publicado pelo governo. Técnicos do ministério discordam da avaliação dos cientistas sobre a maioria das espécies da lista. Dentre as quase 1.500 espécies relacionadas, apenas 400, aproximadamente, seriam consideradas realmente ameaçadas pelo MMA.
O impasse foi revelado na semana passada em reportagem do Estado. Pesquisadores da Fundação Biodiversitas, responsável pela elaboração da lista, e da Sociedade Botânica do Brasil (SBB) pedem a publicação imediata da íntegra do estudo. A lista oficial atual, de 1992, tem apenas 107 espécies e estaria completamente defasada, segundo os cientistas. Uma primeira revisão foi submetida ao MMA em dezembro de 2005, com 1.537 espécies ameaçadas. O ministério contestou e pediu outra avaliação. Uma nova lista, então, foi submetida dois meses atrás, com 42 espécies a menos (1.495).
O MMA, porém, continua insatisfeito. Segundo a secretária de Biodiversidade e Florestas do ministério, Maria Cecília Wey de Brito, as informações fornecidas são insuficientes para muitas espécies. "Temos que sentar juntos e esclarecer qual foi a lógica usada para incluir todas essas espécies", disse. "Queremos uma lista oficial que seja consistente, sem o risco de que ela precise ser mudada dois dias depois."
Cerca de 300 pesquisadores participaram da elaboração da lista. A Fundação Biodiversitas, uma ONG com base em Belo Horizonte (MG), coordena o trabalho em convênio com o Ibama. A mesma parceria foi usada na revisão da lista de fauna ameaçada, publicada em 2003. Na ocasião, o MMA adiou por um ano a publicação das listas de peixes e invertebrados aquáticos por causa do impacto que a classificação poderia ter sobre atividades pesqueiras de certas espécies.
No caso das plantas, pesquisadores suspeitam que o alto número de espécies tenha "assustado" o ministério. Maria Cecília nega. "Nosso problema não é o número, é a consistência das informações", disse. Ela levanta a preocupação de que algumas espécies tenham sido incluídas mais por precaução dos pesquisadores do que por indícios científicos concretos de ameaça. "Não há dúvida de que estamos atrasados nesse processo (de publicação da lista), mas temos que ter clareza sobre os dados para tomar uma decisão."
A intenção, segundo ela, é marcar uma reunião com os pesquisadores até o fim do ano. A superintendente técnica da Fundação Biodiversitas, Gláucia Drummond, aprovou a idéia. "Estamos sentindo falta justamente desse diálogo", disse. "Havendo dúvidas, os especialistas estão prontos para respondê-las." Segundo ela, todas as espécies que estão na lista possuem justificativa científica para isso. "Se o MMA discorda, deve apresentar seus argumentos científicos." A maior parte das espécies consideradas ameaçadas está na mata atlântica (45%) e no cerrado (34%).
OESP, 07/11/2007, Vida, p. A17
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