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Governo aumenta punicao para trabalho escravo

OESP, Nacional, p.A9
17 de Ago de 2004

Governo aumenta punição para trabalho escravo
Resolução impedirá bancos privados de dar empréstimos para quem explorar mão-de-obra
Vânia Cristino
BRASÍLIA - O governo vai proibir bancos privados de dar empréstimos a exploradores de trabalho escravo. O secretário Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, contou ontem que resolução nesse sentido está pronta para ser enviada ao Conselho Monetário Nacional (CMN). "Temos de mostrar que financiar escravocrata é atividade de alto risco para os negócios de quem empresta", disse, acrescentando que se empenhará para que a resolução seja aprovada "o mais breve possível".
Nilmário participou da reunião da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, que fez o balanço dos seus 18 meses de atividade. Ele comemorou os resultados e assegurou que o governo cumprirá a meta de acabar com o trabalho escravo até o fim de 2006. Para isso, considera essenciais a resolução do CMN e a emenda que permitirá ao governo expropriar a terra onde forem encontrados trabalhadores nessa situação, sem indenizar os proprietários. "O financiamento do trabalho escravo vai passar a ser de alto risco quando tivermos a lei que prevê a expropriação da terra", avaliou. A emenda ainda tem de ser aprovada em segundo turno na Câmara e depois voltará ao Senado.
Quanto à resolução do CMN, Nilmário explicou que o objetivo é integrar os bancos privados ao esforço do governo de punir os exploradores de trabalho escravo - hoje os bancos públicos já não fazem empréstimos a pessoas físicas e jurídicas que submetem trabalhadores à condição de escravos. Elas também não têm direito a benefícios fiscais e outros subsídios.
A lista suja do trabalho escravo, que é preparada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, vem sendo divulgada pelo governo para diversos órgãos e bancos oficiais. A última, do fim do mês passado, tem 49 nomes de fazendeiros e empresas. É esta lista suja que os bancos privados vão ter de observar após a aprovação da medida pelo CMN.
Balanço - Os resultados do Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo serão entregues por Nilmário ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o secretário, os avanços na fiscalização são notáveis. Pelos dados divulgados até julho, as equipes móveis realizaram 99 operações em 387 propriedades rurais. Nelas foram liberados 6.465 trabalhadores, lavrados 2.633 autos de infração e pagos R$ 8,7 milhões em direitos trabalhistas.
"Vou garantir ao presidente que o propósito dele de até o fim do governo erradicar o trabalho escravo vai ser cumprido", insistiu. Para Nilmário, o que falta agora é avançar na prevenção. O governo quer passar a atuar contra os focos de aliciamento de trabalho escravo, dando alternativa para que os trabalhadores não sejam pegos nas armadilhas dos recrutadores de mão-de-obra.
Nilmário também comemorou a prisão do fazendeiro Norberto Mânica, de Unaí (MG), acusado de ser mandante do assassinato de três fiscais do Trabalho e um motorista.
"Certas pessoas achavam que podiam ficar acima da lei. Não podem e a prisão desse fazendeiro em Unaí demonstra que não haverá impunidade", disse. "Não importa se tem mandato. Quem praticar o trabalho escravo tem de pagar por isso."

OESP, 17/08/2004, p. A9

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