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Governo adota posição híbrida sobre os transgênicos

O Globo, Ciência e Vida, p. 32
14 de Mar de 2006

Governo adota posição híbrida sobre os transgênicos

Ricardo Galhardo

Diante da pressão de organismos internacionais e de ONGs ligadas ao meio ambiente, o governo brasileiro definiu ontem a proposta para a rotulagem de produtos transgênicos a ser apresentada na 3ª Reunião das Partes Signatárias do Protocolo de Cartagena (MOP-3), que começou ontem em Curitiba. Depois de uma reunião com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem em Brasília, além dos ministros Marina Silva (Meio Ambiente), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Roberto Rodrigues (Agricultura), ficou acertado que a proposta do Brasil é que, por enquanto, os produtos brasileiros terão no rótulo a expressão "pode conter" transgênicos e que num prazo de quatro anos haverá um período de transição quando todos os produtos terão que ser obrigatoriamente testados e passarão a ter que informar se a embalagem "contém" organismos modificados.
Decisão pode encarecer produtos, diz especialista
Na verdade, essa foi uma posição intermediária adotada pelo governo, já que a ministra Marina Silva pretendia que o prazo de transição fosse de apenas dois anos e não os quatro defendidos pelo ministro da Agricultura. Em entrevista ontem à noite no escritório da Presidência da República, em São Paulo, a ministra Marina Silva disse estar satisfeita com a decisão tomada pelo governo brasileiro.
- Estou satisfeita na medida em que se viabilizou uma proposta. Os negociadores brasileiros devem ter ficado felizes com a decisão do presidente Lula. A partir de agora, vamos para uma nova fase de negociação em relação ao período da transição - disse Marina Silva.
A ministra evitou tratar o assunto como uma queda-de-braço entre ela e o ministro da Agricultura. Segundo ela, os produtores brasileiros do agronegócio também podem acabar ganhando no futuro.
- O país pode estar se livrando de problemas futuros, como barreiras tarifárias. Não gosto de trabalhar com isso (queda-de-braço). Não sou indiferente às necessidades reais dos demais setores do governo - disse ontem Marina Silva.
A ministra explicou que nesse prazo de transição de quatro anos os produtores brasileiros poderão adotar um sistema de segregação entre transgênicos e não transgênicos. No Brasil, apenas uma parte dos produtores que não produzem transgênicos tem esse sistema de segregação. Esse sistema pode encarecer os produtos em 10%, segundo estudo de um pesquisador da Unicamp, José Maria da Silveira.

O Globo, 14/03/2006, Ciência e Vida, p. 32

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