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Governo admite que índios estão integrados à sociedade

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
08 de Mai de 2005

Se não há conflito de ordem legal entre órgãos e entidades - públicos ou não - o Governo Federal admite que os índios do lavrado roraimense estão integrados à comunidade nacional, podendo até contrair empréstimos bancários. A conclusão é do secretário estadual de Planejamento, o economista Haroldo Amoras.
Ao analisar o documento divulgado pelo Comitê Gestor sobre as medidas compensatórias decorrentes da homologação da reserva Raposa/Serra do Sol, o economista criticou o plano de aplicação financeira taxando-o de ridículo. Pelos números expostos, o governo destinará cerca de R$ 2,1 milhões para tal finalidade.
Cerca de R$ 1 milhão para indenizar 28 famílias de não índios moradores da reserva, R$ 635 mil para financiar cinco comunidades interessadas em adquirir financiamento e R$ 470 mil para equipar com painéis solares 63 escolas. "Essa ação é tão ridícula, risível que interpreto como escárnio", disse o economista.
Ao comparar o volume de recursos específico para a reserva indígena o secretário disse que aproximadamente equivale à folha de pagamento mensal da Companhia Energética de Roraima. "É um valor que traduzido em investimentos para gerar emprego, renda e incrementar a produção é absolutamente ridículo", comentou.
INTEGRADOS - Seguindo na avaliação sobre o mesmo documento, Haroldo Amoras classificou como altamente positiva a decisão do Governo Federal em viabilizar um mecanismo de financiamento para a atividade produtiva dos indígenas do lavrado roraimense.
"Significa que o Governo Federal reconhece a diferença entre os índios de Roraima ao atender uma demanda dessa comunidade. Em vez de recorrer a iniciativas paternalistas, encara o mecanismo de financiamento. Ou seja, os índios sabem que tem juros (mesmo que de 4%) e um tempo depois, conforme da natureza do crédito terão de pagar ao banco. No aspecto prático o Governo Federal reconhece que os índios do lavrado estão aptos a entrar e operar nos mecanismos da sociedade capitalista. Portanto, considero isso um avanço", declarou.
Questionado sobre o conceito de que o índio é relativamente capaz, o que poderia sugerir um financiamento a fundo perdido, Amoras entende que não. "Desta forma o governo insere os índios no jogo de mercado. Ou seja, os índios entram com a consciência perfeita que terão acesso a uma poupança gerada por todos os brasileiros. Isso quer dizer, acreditar que os índios são capazes de decidir seus destinos, é reconhecer que eles enfrentam os riscos, a incerteza, com a postura de empreendedor, como deve ser numa sociedade capitalista", analisou. (C.P)

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