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Governo adia troca de comando na Funai

Jornal do Brasil-Rio de Janeiro-RJ
15 de Jul de 2003

Índios em todas as salas, longas listas de reivindicações, pedaços de gesso caindo do teto, móveis empilhados impedindo a passagem. O sucateamento da Funai é visível até na sede do órgão, em Brasília. Em meio à crise administrativa, o governo federal resolveu adiar a troca de comando na fundação até encontrar um nome de consenso para substituir Eduardo Almeida.
Um grupo de 22 representantes de aldeias foram ontem ao Ministério da Justiça pedir a demissão do presidente da Funai. Houve discussão com assessores do gabinete do ministro. Almeida, contudo, ganhou uma sobrevida no cargo após reunião com o ministro Márcio Thomaz Bastos.

O ministro se queixou da inoperância da Funai e reclamou do fato de Almeida sequer despachar na sede da fundação.

Até assessores da Funai davam como certa a troca na presidência. Os índios que estiveram no ministério ontem, a maioria xavantes e pataxós, ameaçavam impedir a entrada de Almeida no gabinete.

- Não tenho dificuldades para administrar as crises. Sinto-me confortável no cargo.

As pressões contra ele, além dos indígenas, partem de madeireiros, mineradores e grileiros de terras, conforme ordem citada por Almeida. Ele disse ter criado dezenas de grupos para realização de estudos visando demarcar as terras indígenas. Pelos cálculos de assessores do ministério, são 75 grupos. Mas falta dinheiro. No primeiro quadrimestre do ano só foram liberados 20% do orçamento do período.

Almeida afirma que a terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, deverá ser homologada pelo governo federal. Há um mês, Thomaz Bastos sobrevoou a reserva para apresentar um relatório ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No fim de semana, fontes ligadas à questão indígena disseram que a presidência da Funai seria entregue a Antônio Carlos Oliveira, consultor jurídico do Senado e advogado do senador Romero Jucá (PMDB-RR).

- Seria um retrocesso colocar na Funai alguém ligado ao Jucá - disse o coordenador-geral de Assuntos Externos da Funai, Rodolpho Valentini Júnior. O senador afirmou que não indicou ninguém para o posto e garantiu que, ao contrário do que afirmam seus opositores, é autor de um projeto, já aprovado, que proíbe o garimpo em terras indígenas.

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