OESP, Economia, p. B4
24 de Ago de 2004
Governo adia duplicação de Tucuruí
Maior projeto de geração de energia em construção deveria ser concluído em 2006
Alaor Barbosa
O governo adiou a conclusão da duplicação da Hidrelétrica de Tucuruí, o maior projeto de geração de energia elétrica em construção no País, com acréscimo de mais 4 mil MW de potência.
Prevista para ser concluída em 2006, a duplicação deverá ser adiado "por mais alguns meses", conforme fonte do setor. Tucuruí deverá ter potência total superior a 8 mil MW, tornando-se a maior geradora exclusivamente brasileira, já que a usina de Itaipu, com 12.800 MW, é binacional (Brasil e Paraguai). Pelo cronograma anterior, a cada quatro meses seriam acrescidos mais 375 MW de potência, com investimentos de R$ 3,8 bilhões, conforme informações da Eletronorte, estatal controlada pela Eletrobrás, responsável pela construção.
No início do ano, o consórcio responsável pela obra, liderado pela francesa Alstom e que engloba a joint venture GE Hydro Inepar e empresas como ABB e Odebrecht, ameaçou suspender o serviço, por causa do atraso no pagamento, o que foi resolvido.
A reprogramação da expansão pode ser feita sem prejuízo para o fornecimento de energia elétrica, mas pode trazer "algum custo financeiro adicional", segundo o secretário de Política Energética do Ministério de Minas e Energia, Amílcar Guerreiro. Sem dar detalhes, ele confirmou a reprogramação, possivelmente por causa de questões de superávit do setor público, por decisão do Ministério da Fazenda. Ele disse que o projeto tem de ser analisado em todo o seu contexto, pois a expansão poderá atender tanto a região Nordeste quanto a Sudeste.
Mas, se há restrição à expansão, o governo está otimista quanto ao sistema de transmissão. Guerreiro disse que além do leilão programado pela Agência Nacional de Energia Elétrica para 30 de setembro, o governo poderá licitar mais 1 mil km de linhas de transmissão ainda este ano, para reforçar a ligação Sudeste-Nordeste. Além disso, outros 3 mil km deverão ser licitados em 2005 para reforçar a ligação Norte-Sul.
Ele afastou, porém, a possibilidade de mudar a forma de cálculo das tarifas das linhas de transmissão, como defendem as geradoras térmicas.
OESP, 24/08/2004, Economia, p. B4
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