OESP, Economia, p. B7
05 de Set de 2013
Governo aciona térmicas no Nordeste
Motivos da decisão seriam o apagão da semana passada e a necessidade de reduzir o envio de energia para os Estados da região
Eduardo Rodrigues / BRASÍLIA
Quase uma semana após o apagão que deixou todos os Estados do Nordeste sem energia, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu ligar 1.000 megawatts (MW) em usinas térmicas da região para diminuir a necessidade de transmissão de eletricidade vinda de outras partes do Brasil. A medida deve durar até que o governo conclua a avaliação sobre a segurança das redes atingidas por uma queimada.
"Talvez essa necessidade não seja maior do que 15 dias", afirmou o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Zimmermann.
Segundo ele, com a geração térmica de1.000 MW locais, a energia transportada para a Região Nordeste diminuirá de 3.800 MW para 2.700MW.Dessa forma, as linhas de transmissão que conectam os Estados nordestinos ao Sistema Interligado Nacional (SIN) estarão menos carregadas e, portanto, menos suscetíveis a ocorrências de grandes proporções como a da última quarta-feira.
Em nota, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que o apagão foi causado por queimadas em uma fazenda no interior do Piauí. O fogo teria se aproximado de linhas de transmissão por causa do acúmulo de vegetação, em áreas sob responsabilidade das concessionárias. A Taesa, que administra uma das linhas, diz ter cumprido todas as normas e afirma que ainda é cedo para concluir as causas da interrupção de energia.
"A decisão (de ligar as térmicas) não tem a ver com o nível dos reservatórios. O objetivo é dar segurança à transmissão após problemas da última semana", disse Zimmermann. "Você planeja o sistema para manter o atendimento mesmo com perda de uma linha, mas houve problema em duas. Com a nova configuração, a queda de duas linhas não causaria apagão."
A possibilidade de acionamento das térmicas já havia sido levantada, um dia antes, pelo diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, durante evento no Rio.
Além de ter enfrentado o apagão na semana passada, os reservatórios de água do Nordeste também estão em níveis críticos.
Como outras térmicas do País estão sendo desligadas à medida que a estação chuvosa se aproxima, os consumidores não devem ter custos adicionais como despacho dessas usinas no Nordeste, avaliou o secretário."É uma medida de prevenção para que haja uma verificação da vegetação sob as linhas na região Nordeste", completou Zimmermann.
Anteontem, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, prometeu enviar um ofício às empresas de transmissão alertando para a necessidade de se fazer uma varredura em suas linhas para garantir que a vegetação não ameace as torres.
De acordo com o governo, se as empresas responsáveis pelas duas linhas afetadas no apagão do Nordeste - Taesa e a Ienne - tivessem realizado a manutenção adequada da mata em suas redes, o incêndio florestal em Canto do Buriti (PI) não teria causado o desligamento em série da força.
OESP, 05/09/2013, Economia, p. B7
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