Folha do Amapá-Macapá-AP
28 de Jan de 2003
Depois da audiência com o prefeito, governador recebeu as associações das comunidades indígenas, que também tinham reivindicações a fazer
O governador Waldez Góes e alguns secretários se encontraram ontem, no Palácio do Setentrião, com o prefeito de Macapá, João Henrique, e representantes de associações indígenas do Estado. Ambas as reuniões aconteceram à portas fechadas e todas tiveram um saldo positivo nas conversas. A pauta era crivada de reivindicações, tanto por parte da prefeitura de Macapá (PMM), quanto pelos representantes indígenas. João Henrique pediu colaboração para sua administração, já os índios queriam ajuda, principalmente no campo da educação.
João Henrique demonstrou satisfação ao término do encontro, onde foram acertadas algumas arestas sobre a colaboração mútua entre Governo e Prefeitura. Dentre vários pedidos de apoio, Waldez garantiu ajudar na programação de aniversário da cidade de Macapá. E ficou de conversar na semana que vem sobre a retomada dos convênios entre as duas administrações (estadual e municipal). "Possivelmente, ainda esta semana, deveremos sentar para tratar de alguns aspectos desses convênios, sobretudo na questão da limpeza da cidade e na questão da compra de vagas para a educação infantil", disse o governador.
Durante o encontro foi discutido, também, sobre um programa que o Estado está realizando junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird). "Trata-se de um programa de geração de emprego no campo, mas que o Estado já pediu um aditivo, ou seja, de cinco para vinte milhões dólares, para que possamos desenvolver projetos de geração de renda na área urbana de Macapá, Santana e outros municípios do Estado", informou o governador. Acrescentou que o prefeito João Henrique foi manifestar o seu desejo de conseguir esse apoio, uma vez que ele já visitou o Bird e os técnicos do banco demonstraram interesse em manter essa relação, também, com a prefeitura de Macapá.
As reivindicações dos índios
A Associação dos Povos Indígenas do Tumucumaque (Apitu), que representa quatro comunidades (Waiana, Aparai, Kaxuyana e Tiryó) e a Associação Galibi Maruworno (AGM), dos índios Galibis, reivindicaram do governo maior atenção na área da Educação, cujo débito, somente dos salários dos professores contratados pelo Estado, atrasados desde setembro do ano passado, ultrapassa um milhão de reais.
"Temos de agir de acordo com o que rege a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas o governador garantiu que os débitos a partir de primeiro de janeiro deste ano serão saldados", diz o vice-governador Pedro Paulo. O atraso dos salários ocasionou um retardamento do ano letivo de 2002, que ainda não foi concluído. Além deste pedido, inúmeros outros foram apresentados ao governador, o qual garante estar sensibilizado com a questão indígena e afirmou que, em um futuro próximo, resolverá grande parte dos problemas enfrentados hoje pelas comunidades indígenas.
Desta vez as exigências não foram ter as terras de volta, e sim, tentar obter maior atuação de índios em cargos públicos destinados hoje a não-índios, como a chefia do Núcleo de Educação Indígena. "O governador nomeará um índio para o cargo assim que as comunidades indicarem um representante para assumir", garante o vice-governador Pedro Paulo.
Cada associação apresentou ao governador, também, reivindicações diferentes, que visam, cada uma delas, melhoria na qualidade de vida de cada comunidade indígena. Uma das preocupações dos representantes da Apitu é com relação ao transporte dos índios para a Capital, visto que a área em que vivem as quatro comunidades da região do Tumucumaque é totalmente isolada, tendo seu acesso por estradas e rio impossibilitados, hoje, pela condição precária.
"Nós iremos propor ao governador que nos disponha de um avião para nos locomovermos", diz Carlos Ferreira, coordenador da Apitu. Pedro Paulo afirma que o governo estudará uma alternativa viável para solucionar este problema. Não ratificou o pedido dos índios sobre transporte aéreo, mas também não descarta a possibilidade de oferecer condições de acesso às aldeias, seja por terra ou por água
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