A Gazeta-Rio Branco-AC
17 de Mai de 2006
O governador Jorge Viana informou ontem que está reivindicando junto à Casa Civil da Presidência da República a participação de representantes dos estados do Acre, Amazonas e Rondônia, além da prefeitura de Porto Velho, no grupo de trabalho interministerial que está discutindo e tratando da execução do projeto de construção de duas hidrelétricas ao longo do Rio Madeira.
Apoiado pelos governadores Eduardo Braga, do Amazonas, e Ivo Cassol, de Rondônia, Jorge Viana quer, com essa participação no grupo interministerial, garantir a participação de 5% de cada um dos três estados no empreendimento. "Estamos reivindicando nossa participação no projeto por cuidarmos dos recursos naturais existentes na região onde será construído o empreendimento", disse o governador.
Segundo Jorge, o representante do Acre no grupo interministerial será o secretário de Planejamento e Gestão, Gilberto Siqueira, a quem caberá mostrar as razões pelas quais os estados precisam ser recompensados financeiramente pelo grande empreendimento previsto para o Rio Madeira. O governador calcula que, inicialmente, o Acre teria uma receita extra de até R$ 150 milhões com a participação na venda da energia a ser gerada pelas duas hidrelétricas.
Orçado em cerca de R$ 15 bilhões, o que o torna o maior projeto em execução na Amazônia Continental, o projeto de construção das duas hidrelétricas se destina a produzir energia equivalente a mais da metade do que produz hoje a hidrelétrica de Itaipu. Essa energia, calculada em mais de 6 mil megawatts, também se destinaria a fomentar o desenvolvimento sustentável da região.
Jorge Viana lembrou que se reuniu semana passada com o bispo de Rondônia, Dom Moacyr Grechi e com organizações não-governamentais (ONGs) daquele estado para discutir a questão ambiental que implicará a execução das duas grandes obras geradoras de energia. O governador destacou que, de fato, terá que haver um grande cuidado para evitar danos ambientais no Rio Madeira e nos ecossistemas da região.
Jorge disse que é a favor das hidrelétricas e contra a construção da hidrovia do Rio Madeira a partir de Porto Velho em direção às fronteiras da Bolívia e do Peru. Segundo o governador, a hidrovia representaria uma ameaça aos delicados ecossistemas existentes ao longo do Rio Madeira, que corta uma região amazônica de grande biodiversidade.
O governador afirmou, ainda, que o conflito criado pela Bolívia em torno da comercialização do gás para o Brasil implica numa pressão favorável para o governo brasileiro partir para construir as duas hidrelétricas e concluir os gasodutos que serão construídos para levar o gás da região amazonense de Urucu tanto para ser consumido em Porto Velho quanto para abastecer Manaus. Jorge considera que a energia hidrelétrica e o gás de Urucu serão de fundamentais importâncias para dar suporte ao desenvolvimento sustentável da floresta acreana.
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