Folha do Amapá-Macapá-AP
07 de Out de 2003
Depois de receber um relatório do Grupo de Trabalho que trata das questões relacionadas à organização e produção das áreas extrativistas do Estado, coordenada pelo ambientalista Pedro Ramos, o governador Waldez Góes (PDT) determinou a vários organismos do Estado que desenvolvam ações para retomada da produção dos castanheiros da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru.
A fábrica foi totalmente destruída por um incêndio no dia 1o de outubro. As instalações foram financiadas pelo Fundo Francês de Desenvolvimento e pelo PPG-7 durante o governo de João Alberto Capiberibe. A polícia investiga se o incêndio foi criminoso, já que vários grupos locais disputavam sem consenso o controle da cooperativa. Góes classificou de "um fato inesperado, lamentável e desagradável". Ele também disse esperar a conclusão das investigações que apuram as responsabilidades.
Na fábrica trabalhavam 25 famílias (127 pessoas). Todas moram dentro da reserva, uma área com mais de 850 mil hectares, onde existia a fábrica de castanha e um galpão para armazenamento. A produção chega a seis mil hectolitros de castanha por ano.
A alternativa encontrada para reestruturar a Cooperativa dos Castanheiros e reiniciar a produção dos biscoitos de castanha-do-pará é a instalação no local de uma fábrica móvel que pertence ao Sebrae do Amapá. As obras para receber a fábrica serão executadas pela Secretaria de Estado da Infra-estrutura (Seinf).
"O importante é que o governo está construindo uma alternativa. Vamos manter o convênio de compra dos biscoitos para o programa de merenda escolar das escolas da rede estadual e faremos uma assistência via Conselho Estadual de Segurança Alimentar para que essas pessoas não venham a passar qualquer tipo de privação alimentar até que a produção seja retomada", garantiu o governador.
Enquanto o processo de reestruturação da comunidade estará sendo desenvolvido, o Grupo de Trabalho que reúne ainda a Sema, Setec e Iepa, vai discutir com os moradores a construção de alternativas mais definitivas. Há propostas de não só concentrar o trabalho com os produtos derivados da castanha, mas também com ecoturismo dentro da reserva. O Estado poderá investir em infra-estrutura de energia elétrica, saneamento básico e na construção de uma pousada ecológica para proporcionar um fluxo turístico à região.
Sobre a alternativa de construir uma nova fábrica no local, haverá ainda um profundo processo de discussões. A fábrica que pegou fogo tinha grande capacidade ociosa de produção e estava dando prejuízos à cooperativa que tem uma dívida muito grande com organismos de financiamento do Estado e até internacionais.
"Se a decisão da comunidade for por uma nova fábrica, será um projeto dentro dos limites de produção que a região pode oferecer. A fábrica que existia lá estava superdimensionada", adianta.
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