Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
11 de Nov de 2004
A solução deve ser negociada, mas em consonância com o pensamento da maioria da população indígena da região, o governador Ottomar Pinto disse que não convém aos índios a homologação contínua da reserva Raposa/Serra do Sol.
Questionado sobre a situação fundiária do Estado, ele reconhece que a situação é grave e citou a máxima popular: "Não há mal que sempre dure e bem que nunca se acabe", para afirmar que mais cedo ou mais tarde haverá uma solução para o problema.
Na avaliação do governador, a primeira vista parece que a situação de área indígena e a fundiária são um carma para o Estado e seu povo. "Mas eu tenho certeza de que com discussão, com um posicionamento da sociedade, com o despertar de consciência para o problema, haveremos de encontrar caminhos para se não pudermos ir em frente, contornaremos as dificuldades".
A alta complexidade na demarcação das terras indígenas levou a discussão sobre a reserva Raposa/Serra do Sol para o Supremo Tribunal Federal. Ontem, ao se posicionar a respeito da intrincada questão, Ottomar disse que estava no governo para ver os interesses da sociedade de Roraima.
"Digo mais ainda: não convém para os índios que aquela ali seja uma área contínua, porque, senão, eles não vão ter escola, médico, transporte ou quem cuide das estradas".
Conforme o governador, não é a Funai lá em Brasília que vai resolver o problema dos índios, e sim a administração estadual. "Então, se aquilo ali for uma área fechada, como a área yanomami, qualquer autoridade do Estado para ir lá tem que ter permissão da Funai. Como é que vai ter professor lá, enfermeiro, visita médica, remédio, caminhão, trator, sementes, peixes para criar nos lagos?".
Na avaliação de Ottomar, o caminho para resolver o impasse é a negociação. "Uma prova de que há divisão dentro da comunidade indígena a esse respeito é que a maioria dos tuxauas se posiciona exatamente contra a área contínua", observou.
Ottomar disse que a sua atual administração será dinâmica, eficiente, matricial. "Uma administração achatada em que não existe a verticalização de outrora. É por isso que procurei estudar administração pública na Fundação Getúlio Vargas. Pelo menos as idéias modernas eu tenho na cabeça". (C.P)
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