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Governador disputa com senador comando da Funasa

Correio do Estado
27 de Jul de 2007

As negociações para o preenchimento dos cargos federais em Mato Grosso do Sul empacaram. Além da contenda entre os próprios parlamentares, elas emperraram na disputa entre o governador André Puccinelli (PMDB) e o senador Delcídio do Amaral (PT) pelo comando da Funasa (Fundação Nacional de Saúde). Os dois estão em guerra pelo cargo.
Desde abril de 2006, a Funasa é comandada por Gilmar Gonçalves, funcionário de carreira que entrou para a fundação em 1983. Gonçalves é da cota do PMDB. Delcídio reivindica a vaga, alegando que nunca teve direito a fazer indicações para cargos federais. Mas esbarrou em André, que não abre mão de indicar o novo coordenador. Os dois chegaram a conversar, mas não houve entendimento.

Na época em que o deputado federal Geraldo Resende ainda estava filiado ao PPS, seu principal assessor parlamentar, Flávio Brito, era o nome cotado para assumir a Funasa. Mas o fato de o PPS ser da oposição ao Governo Lula dificultou as negociações para Brito ocupar um cargo da esfera federal. "Quando o Geraldo assumiu a indicação do Flávio Brito, tornou mais difícil a negociação, porque o PPS faz oposição e o Governo federal não iria dar espaço para um opositor", explicou um parlamentar da bancada.

Fora a disputa pela Funasa, dois outros parlamentares atrapalharam a formação do quebra-cabeças que precisa agrupar indicações políticas mais capacidade técnica: o senador Valter Pereira e o deputado federal Waldemir Moka, ambos do PMDB.

Moka tentou emplacar seu irmão, Waldir Miranda de Brito, à frente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Ex-diretor da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) no governo de Marcelo Miranda, Waldir é conhecedor dos problemas da classe dos produtores rurais. Mas dois fatores pesaram contra ele: o estatuto da Conab prevê que apenas funcionários de carreira podem assumir a superintendência. Além desta limitação de caratér legal, o fato de ser irmão de um parlamentar da bancada federal ruralista poderia soar politicamente incorreto.

O governador foi, então, aconselhado a encaixar Waldir em cargo estadual. Em Mato Grosso do Sul, a superintendência da Conab está nas mãos de Sérgio Alfredo Rios, funcionário de carreira do órgão. Rios conversou com André, que não mostrou resistência à sua permanência no cargo.

Valter Pereira tentou indicar o promotor aposentado Esacheu Cipriano Nascimento para o comando do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), hoje dirigido por Luiz Carlos Bonelli, da cota do PT. O que se questionou para o governador é se Esacheu teria o perfil técnico compatível com instituto. A nomeação ainda não prosperou.

Verticalização

As conversas individuais que o governador teve com os integrantes da bancada foram infrutíferas. "As conversas individuais não resolveram nada", reclamou um deputado.

Na volta do recesso parlamentar, a bancada deve levar a André a proposta de "verticalização" no preenchimento dos cargos. Ou seja, o partido que detém o comando do órgão em nível nacional faria as indicações nos Estados. Seguindo esta lógica, o deputado federal Dagoberto Nogueira, por exemplo, indicaria alguém para a DRT (Delegacia Regional do Trabalho), que em Brasília está nas mãos do seu partido, o PDT, e seu colega de Câmara, Antônio Carlos Biffi (PT), manteria a indicação de João Rocha para o comando da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. O DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transporte), permaneceria, assim, sob o comando do ex-governador Marcelo Miranda, do PR.

Walfrido dos Mares Guia, ministro das Relações Institucionais, pasta que cuida do preenchimento de cargos, já sinalizou que o Governo vai agilizar o preenchimento dos cargos. Na Câmara e no Senado, líderes partidários avisaram que a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) está condicionada, entre outros fatores, ao preenchimento de cargos federais no segundo escalão.

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