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Governador de RO acusado de fraude

OESP, Nacional, p.A12
13 de Nov de 2004

Governador de RO acusado de fraude
No processo a que responderá no STJ, Ivo Cassol também é citado por formação de quadrilha
Leonel Rocha
O governador de Rondônia, Ivo Cassol (PSDB), vai responder a processo no Superior Tribunal de Justiça pelos crimes de formação de quadrilha e fraude em licitação pública. A denúncia foi feita ontem pelo procurador-geral da República, Cláudio Fonteles. Segundo o Ministério Público Federal, Cassol se associou a parentes diretos e a assessores para fraudar contratação de empresas e licitações feitas quando era prefeito do município de Rolim de Moura, entre 1998 e 2002.
"Ivo Cassol é o centro de toda a fraude e o chefe da organização criminosa", escreveu na denúncia a subprocuradora Débora Duprat. Além do governador, outras oito pessoas responderão pelos mesmos crimes, entre eles parentes diretos de Cassol. Segundo a denúncia, o grupo acertava previamente o preço para que determinada obra pública fosse feita e as contratações realizadas por convite para burlar a concorrência e não despertar suspeitas.
Das oito empresas favorecidas por Cassol e seu grupo, cinco eram dirigidas por parentes diretos do governador. Uma das empresas contratadas, a Brasil FM Ltda., tem como uma das sócias a mulher do governador, Ivone Cassol, e um amigo do casal, Aníbal Rodrigues. "Todos os indícios apontam no sentido de que tais empresas pertencem à família Cassol", escreve na denúncia a procuradora. As empresas que Débora Duprat aponta como sendo de familiares de Cassol ganharam 92,3% de todas as licitações da prefeitura.
Se forem condenados por formação de quadrilha e fraude em licitações públicas, o governador e o seu grupo poderão pegar de 3 a 7 anos de prisão. Entre os acusados estão o atual superintendente de licitações de Rondônia, Salomão da Silveira, que presidiu a comissão de licitação de Rolim de Moura, e o assessor especial do governador, Erodi Antônio Matt, que era o vice de Salomão.
Cassol também está sendo investigado por envolvimento na extração ilegal de diamantes na Reserva Roosevelt, dos índios cintas-largas, onde em abril 29 garimpeiros foram mortos pelos índios. O inquérito corre em sigilo no STJ. O governador negou o envolvimento, mas foi apontado em depoimento à Justiça pelo doleiro Marcos Glikas, preso em Porto Velho com cerca de mil quilates de diamantes, como sócio na extração ilegal das pedras. Segundo o MPF, Glikas agia em sociedade com o delegado Sérgio Bocamino e o agente Marcos Bonfim, da Polícia Federal de Ribeirão Preto.
A assessoria do governador informou que até a noite de ontem ele estava internado se recuperando de uma cirurgia de apêndice e não iria fazer nenhum pronunciamento sobre o caso. O seu advogado, França Guedes, disse que desafia o Ministério Público a provar qualquer acusação a Cassol.

OESP, 13/11/2004, p. A12

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