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Autor: Francieli Marinato
20 de Mai de 2007
A TV Gazeta Norte exibiu nesta quinta (17/05) reportagem sobre "a luta dos quilombolas do Sapê do Norte", denunciando que "o Incra não estaria agindo como deveria" diante da luta fundiária, mencionada como "uma guerra sem armas". A reportagem foi produzida pela jornalista Núbia Prado e exibida somente para o norte do estado. A Tv Gazeta norte já produziu várias matérias sobre a luta dos quilombolas do norte, como no momento da reotmada do cemitério em Linharinho e sobre prisões de quilombolas da APAL-CB em Linhares sob a acusação de invdirem áreas da Aracruz Celulose. O curioso´é que, apesar da aparente "boa intenção" em mostrarem a realidade e a luta dos quilombolas, raramente mencionam o "santo nome" da Aracruz Celulose e menos ainda o de indústrias do álcool que, ao lado da empresa mandeireira ocupam a maior parte das terras dos quilombolas e de C. da Barra. A jornalista foca o impasse para a regularização fundiária dos qulombolas que ocupam a região "há cerca de 300 anos", frente aos "pequenos agrigultores", que segundo ela ocupam as áreas reivindicadas pelos descendentes de escravos. A jornalista oferece uma explicação sobre os direitos quilombolas na constituição e no decreto de 2003, porém referindo-se a eles como "Artigo 87" e "decreto 4.997". Até aí tudo bem! O problema é que ela explica muito mal o papel do Incra e questiona explicitamente, ou melhor, ataca a sua atuação no norte do estado, passando claramente uma visão de que o Incra fomentou uma "verdadeira guerra entre brancos e negros, como no tempo da escravidão" e é o responsável pela "guerra fundiária" que está acontecendo no norte do estado.
A jornalista entrevistou vários agricultores notificados pelo Incra e que deverão perder suas terras, como Eliseu Bonomo, Elena Boroto, Otívio Cunha (que disse que sua família é propriétária de terras na região há mais de 100 anos, paresentando inclusive fotos antigas - nele eu realmente acredito! Deve ser descendente da Rita Cunha!!!). Mas, grave mesmo foi afala de um próprietário chamado Zizuleu Valentim que, detalhe, é negro e enganaria tranquilamente como quilombola! Ele disse, e a jornalista enfatizou, exatamente o seguinte: "o Incra me notificou, conversou e disse para eu procurar uma associação quilombola para tentar me associar como quilombola". Segundo a jornalista, o agricultou se informou e descobriu qe através da Associação suas terras passariam a ser comunitárias, o que não o interessa. Daí a óbvia conclusão da jornalista: o Incra está querendo tomar terras de agricultores regularizados, para torná-las de uso coletivo, aproximando a situação a um mero absurdo, em vez de propor um entendimento sobre a real finalidade da regularização e demarcação das terras da comunidades quilombolas.
A jornalista também entrevistou 2 quilombolas, mas nenhum deles é liderança comunitária ou do movimento (pelo menos, não que eu conheça): Erisvaldo Jesus e Cícero Valentim. Ambos não disseram nada de substancial contra o Incra, apenas que esperam uma solução para as lutas e reivindicações deles. Porém a jornalista usou suas falas para explicar que o Incra (e não pesquisadores contratados para fazer uma ampla pesquisa nas comunidades!) simplesmente cadastrou as famílias para dar início ao processo de regularização fundiária. Ou seja, além de não explicar (ou melhor de desconhecer) todo o trabalho do Incra e do Projeto Territórios Quilombolas, a reportagem distorce todo o processo que envolve os quilombolas, principalmente a "guerra fundiária" que existe no norte.
Mais uma vez vemos como a imprensa lida com a questão, distorcendo e questionando a identidade quilombola e enfatizando a suposta guerra entre brancos e negros, que, de acordo com esta reportagem, estaria sendo incentivada e levada a cabo pelo Incra!
Francieli Marinato.
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