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GLO da Amazônia termina com diminuição de queimadas, mas desmatamento cresce

O Globo - https://oglobo.globo.com/sociedade
25 de Out de 2019

GLO da Amazônia termina com diminuição de queimadas, mas desmatamento cresce
Governo Bolsonaro encerra missão que enviou militares para floresta; balanço final será anunciado na próxima semana

Leandro Prazeres

BRASÍLIA - A missão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para combater as queimadas na Amazônia chegou ao fim nesta quinta-feira com queda na quantidade de incêndios, dados divergentes sobre multas e controvérsia em torno dos resultados obtidos. A missão durou dois meses, após ser decretada pelo presidente Jair Bolsonaro e, segundo o Ministério da Defesa, não deverá ser prorrogada. Um levantamento sobre os resultados finais dela deverá ser divulgado na semana que vem.

A missão GLO foi decretada em 24 de agosto em meio ao auge da crise causada pelo aumento do número de queimadas na Amazônia. A preocupação com a preservação da região ganhou repercussão internacional e causou desentendimentos diplomáticos entre o Brasil e países como a França, a Alemanha e a Noruega. Os dois últimos congelaram investimentos previstos em preservação da Amazônia.

Segundo o ministério da Defesa, mais de oito mil pessoas, entre militares e civis, participaram da missão. Na avaliação do ministério, a operação foi um sucesso.

"O sucesso e a efetividade da Operação Verde Brasil podem ser comprovados pela sensível redução dos focos de incêndio verificada nos meses de setembro e outubro, mantendo esses meses bem abaixo da média histórica", diz um trecho de uma nota enviada pelo Ministério da Defesa à reportagem do GLOBO.

De fato, os dados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia mostram que o número de queimadas em setembro e outubro está abaixo da média histórica. Em setembro deste ano foram registrados 19,9 mil focos de incêndio na Amazônia. No mesmo mês do ano passado, foram registrados 24,8 mil, o que representa uma queda de 19,7%. A média histórica para o período é de 33,4 mil.

Em outubro, a queda deverá ser ainda maior. No mesmo mês de 2018, foram registrados 10,6 mil focos de incêndio. Até ontem, foram registrados 4,3 mil, uma queda de 59,4%. A média histórica para o mês é de 17,1 mil.

Mesmo assim, no acumulado do ano, o número de queimadas na Amazônia até o dia 24 de outubro já superou todo o ano de 2018. Foram 71 mil focos registrados até ontem contra 68 mil em todo o ano de 2018.

Ambientalistas céticos
Ambientalistas ouvidos pelo GLOBO afirmam, no entanto, que não é possível, ainda, afirmar categoricamente que a redução no número de queimadas tenha relação direta com a ação dos militares. Engenheiro florestal e coordenador do projeto MapBiomas, que analisa dados de queimada e desmatamento na Amazônia, Tasso Azevedo acredita que o que causou a redução no número de queimadas foi a proibição imposta por decreto contra o uso de fogo na Amazônia -- e não a presença de militares.

- Acreditamos que o que causou essa redução foi a moratória imposta pelo governo ao uso do fogo. Tanto é assim que, antes da moratória, os focos de incêndio continuaram crescendo mesmo depois da ação dos militares - afirmou Azevedo.

O ambientalista destaca ainda um outro elemento que, na sua avaliação, contribui para desmontar a versão de que a atuação dos militares teve efeito na região: o aumento das taxas de desmatamento na Amazônia mesmo com a presença deles.

- Se a atuação deles tivesse efeito, o desmatamento não teria aumentado. E ele aumentou no período em que eles estavam na região - aponta Azevedo.

Dados do sistema Deter do Inpe mostram que, em setembro (primeiro mês cheio da GLO), houve um aumento de 96% no desmatamento na região. Foram desmatados, segundo o sistema, 1,4 mil quilômetros quadrados de floresta.

O coordenador de políticas públicas do Greenpeace, Márcio Astrini, pondera que ainda é cedo para avaliar a efetividade dos militares durante a GLO e que há outros elementos que podem ter ajudado a reduzir os focos de incêndio na região durante os últimos dois meses, como a chuva.

- Estamos avaliando os dados da precipitação na região. De forma preliminar, nós verificamos que houve um índice de chuvas maior do que no mesmo período do ano passado. Isso pode ter ajudado a reduzir as queimadas por lá - afirmou Astrini.

O ambientalista diz, no entanto, que também não é possível descartar totalmente o impacto da participação dos militares no combate às queimadas na região.

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