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Gerente do Ibama pediu propina, diz despachante

O Globo, O Pais, p.11
10 de jun de 2005

Gerente do Ibama pediu propina, diz despachante
Um depoimento tomado pelo delegado da Polícia Federal Tardelli Boaventura, que investiga o esquema de corrupção no Ibama em Mato Grosso, complicou ainda mais a situação do ex-gerente executivo do órgão Hugo Werle. Werle, que faz parte do conselho fiscal do PT em Cuiabá, foi afastado do cargo no partido preventivamente depois de sua prisão como um dos chefes da máfia que vendia madeira ilegalmente no estado.
Preso na Operação Curupira, o despachante Álvaro Fernando Cícero Leite, representante de madeireiras envolvidas na fraude, contou que em fevereiro ouviu de Werle que o projeto da reflorestadora Tecamat só seria aprovado mediante pagamento de propina. O pagamento, segundo ele, não foi feito.
Segundo Leite, Werle se recusou a aprovar o projeto porque sempre assinava e "nunca recebia nada em troca". O projeto era para plantio de 414 mil árvores, que seriam vendidas a R$ 2,5 cada.
Valor da propina não poderia passar de R$ 20 mil
O despachante e os donos da madeireira teriam decidido que o valor da propina que seria paga a Werle não poderia ultrapassar os R$ 20 mil. Mas não foi preciso pagar a propina, já que no dia seguinte o projeto estava aprovado pela gerência.
Werle nega que tenha cobrado propina. Ele acredita que as acusações podem ser fruto de uma insatisfação antiga dos proprietários da Tecamat com sua atuação à frente do órgão. Ele admitiu que, certa vez, recebeu em seu gabinete dois representantes da reflorestadora.

O Globo, 10/06/2005, p. 11

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