OESP, Metrópole, p. C7
24 de Set de 2011
Gás também contaminou Cingapura vizinho do Center Norte
Medições feitas a pedido da Cetesb comprovam a presença de metano na área, vizinha do Center Norte, mas não haveria risco de explosão
Diego Zanchetta
SÃO PAULO - Vizinha do Shopping Center Norte, a área onde está o conjunto Cingapura da Avenida Zaki Narchi, na zona norte de São Paulo, também está contaminada com gás metano. É o que apontam medições da Prefeitura realizadas a pedido da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e obtidas com exclusividade pelo Estado.
A última medição no local ocorreu na tarde do dia 16 de julho, com os apartamentos fechados - cerca de 7 mil pessoas moram nos 35 blocos do conjunto. O gás metano foi constatado em níveis que não ofereciam risco de explosão, segundo informou a Secretaria Municipal de Habitação, responsável pelas análises.
No mesmo mês, nos dias 17, 21 e 22, medições da Cetesb realizadas na área das 311 lojas do Center Norte apontaram o metano em índice superior a 5% da composição do ar, quando já existe risco de explosão.
Por causa desses resultados, há duas semanas o Center Norte foi classificado pela Cetesb como "área contaminada crítica". Tanto o shopping quanto o conjunto habitacional foram construídos próximos da área do Aterro Carandiru, um antigo lixão usado por moradores da Vila Maria e da Vila Guilherme por mais de 30 anos. Questionado na quinta-feira se havia alguma medição no terreno do Cingapura, o órgão estadual confirmou que a área está contaminada com metano e sob monitoramento do governo municipal.
O relatório da Prefeitura que confirmou a existência de gás metano na área do Cingapura foi enviado à Cetesb em abril. Antes, em julho de 2010, o governo municipal já havia confirmado à companhia a existência de material orgânico em decomposição no subsolo de parte do conjunto.
Sem parecer. Sobre o estudo recebido em abril da Prefeitura com o detalhamento da contaminação, a Cetesb informou ainda não ter um parecer conclusivo sobre o caso. O governo municipal diz aguardar uma avaliação da Cetesb sobre seu estudo. "Os resíduos de plástico, fibras, tecido, cabos e madeira, em decomposição, passaram a liberar gás metano", informou a Sehab.
Por estar na borda e não sobre o perímetro do antigo lixão, porém, a possibilidade de infiltração de gases nos apartamentos "é significativamente menor", de acordo com a Prefeitura, que diz não ter constatado gás metano dentro dos apartamentos em nenhuma das medições realizadas desde 2009 no local.
Projeto. "Atualmente, estamos iniciando a elaboração de projeto das saídas de gás dentro do conjunto. Cabe frisar que o monitoramento da área continuará sendo feito de forma sistemática", informou em nota a Prefeitura. Por enquanto, os prédios não serão interditados.
"Em caso de indicação de vazamentos fora dos blocos do empreendimento, serão instalados drenos de ventilação - distribuídos em toda a área em perfurações verticais - e pisos resistentes a gás", acrescenta a nota do governo municipal.
Conjunto era modelo para verticalização de favelas
Em dezembro de 1994, o conjunto com 2.600 apartamentos da Avenida Zaki Narchi foi apresentado pelo então prefeito Paulo Maluf (PP) como o mais inovador programa de verticalização de favelas já lançado na América Latina. Era o primeiro da série de prédios do Cingapura, edifícios com apartamentos de 45 metros quadrados construídos para moradores de ocupações.
Mas os problemas não demoraram a aparecer. Os prédios da Zaki Narchi - mostrados na primeira propaganda política com uso de computação gráfica da história das campanhas eleitorais, na eleição de Celso Pitta, em 1996 - começaram a apresentar rachaduras em 1998. Além disso, a documentação de alguns moradores começou a sair só em 2006. E centenas ainda seguem sem a escritura do imóvel.
Quase todos os moradores mais antigos lembram do lixão que havia na frente da antiga Favela Zaki Narchi, onde hoje está o Cingapura. "Morei na favela do lado do lixão, antes do conjunto, e nunca explodiu nada. Vai explodir agora, 30 anos depois?", diz a cabeleireira Eliana de Oliveira, de 41 anos. "Para mim, nem o Center Norte corre risco."
Segundo a Prefeitura de São Paulo, "à época da construção do conjunto, notou-se que parte do solo era imprópria para as obras e efetuou-se processo de troca de terra". / D.Z.
Caso é apurado desde 2003
Em abril de 2003, vereadores da CPI das Áreas Contaminadas receberam denúncias de que o Cingapura e todo o complexo onde estão o Center Norte, Lar Center e Expo Center Norte estão sobre um antigo lixão. Os parlamentares pediram que a Cetesb investigasse a informação, o que a entidade começou a fazer dez meses depois, em fevereiro de 2004.
Em novembro de 2009, depois de ser acionada pelo Ministério Público, a Cetesb solicitou à Prefeitura uma investigação do solo do conjunto. Dezessete meses depois, em abril deste ano, um estudo da Secretaria Municipal de Habitação apontou a existência de metano na área, mas sem risco de explosão - dado confirmado em outra medição, em julho.
Agora, a Prefeitura aguarda parecer da Cetesb sobre a contaminação constatada na área para tomar alguma decisão.
OESP, 24/09/2010, Metrópole, p. C7
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