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Gargalos em rede de transmissão preocupam eólicas

Valor Econômico, Brasil, p. A12
01 de Set de 2016

Gargalos em rede de transmissão preocupam eólicas

Rodrigo Polito

As restrições físicas do sistema de transmissão de energia brasileiro são o principal obstáculo para a expansão da energia eólica no país, de acordo com a avaliação da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Para a entidade, é preciso que o governo busque formas para viabilizar o escoamento da energia dos futuros parques, que serão contratados nos próximos leilões.
"Não adianta serem contratados 4 gigawatts de energia eólica no leilão, porque não temos margem de escoamento. Chegamos em 2015 e 2016 no limite do escoamento [de energia]. A transmissão no Brasil está com um problema estrutural. Ele [o setor de transmissão] foi afetado com margens apertadas de modo que os investidores ficaram concentrados em estatais que aceitavam baixas taxas de retorno e alguns outros players corajosos", disse Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica, no Brazil Wind Power, principal evento da indústria eólica do país.
A entidade defende que a margem de escoamento do sistema de transmissão reservada aos projetos de geração que não saíram do papel seja liberada para os empreendimentos que disputarão o leilão de energia de reserva (LER) marcado para 16 de dezembro. "Estamos extremamente preocupados com a margem de escoamento para os projetos que irão a leilão", afirmou Elbia.
A liberação da margem de escoamento na rede de transmissão depende do estudo em curso pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) de rever os projetos de geração contratados e que não entrarão em operação. "Existe uma quantidade de projetos que potencialmente não se materializarão", disse o presidente da EPE, Luiz Barroso.
Segundo Rogério Zampronha, presidente no Brasil da fabricante dinamarquesa de equipamentos eólicos Vestas, o potencial de margem de escoamento na rede de transmissão que poderá ser liberado para os projetos eólicos no LER é de até 4 gigawatts (GW).
De acordo com Tiago Barros, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), dos R$ 30 bilhões previstos em projetos de transmissão de energia que estavam previstos para serem leiloados este ano, apenas R$ 15 bilhões serão cumpridos, porque quase 50% dos projetos ofertados no último leilão de transmissão não foram negociados.
"Nossas simulações indicam que precisaremos de reserva de intercâmbio [de energia] para o Nordeste em grande quantidade. E não conseguimos contratar isso na forma esperada", afirmou Barros.
O diretor da Aneel destacou o avanço da tecnologia de armazenamento de energia, por meio de baterias.
Segundo ele, a tecnologia é modular, de rápida instalação e fácil mobilidade, o que pode servir de solução de curto prazo até a construção da linha. "O custo da bateria está caindo 16% ao ano."
Nas projeções da Aneel, o custo da bateria está em torno de R$ 140 por megawatt-hora (MWh). "Se o custo de oportunidade for o custo do déficit, talvez [a bateria] não seja tão cara", disse Barros.
O diretor-geral do ONS, Luiz Eduardo Barata, reconhece que a maior preocupação do órgão hoje é com relação à transmissão. Segundo ele, uma alternativa de curto prazo seria que o próprio setor eólico investisse no setor de transmissão, neste momento mais crítico.

Valor Econômico, 01/09/2016, Brasil, p. A12

http://www.valor.com.br/brasil/4695249/gargalos-em-rede-de-transmissao-…

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