Midianews-Cuiabá-MT
07 de Abr de 2005
O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) acusa o nepotismo na coordenação mato-grossense da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e o aparelhamento partidário promovido pelo PT como fatores de agravamento pelas mortes de seis índios neste ano no município de Campinápolis (MT). A denúncia foi feita durante Audiência Pública realizada nesta quinta-feira (07) pela Assembléia Legislativa e a Comissão Externa de Análise da Câmara Federal.
Os deputados Geraldo Rezende (PPS-MS)- presidente da Comissão e os membros Thelma de Oliveira (PSDB-MT), Teté Bezerra (PMDB-MT), Fernando Gabeira (PV-MS) e Taís Barbosa (PMDB) representaram o parlamento federal numa visita a aldeias de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul que resultará num relatório nacional sobre a real situação dos índios. O relatório será entregue no dia 19 de abril, Dia do Índio.
O coordenador regional da Funasa em MT, Jossy Soares, admitiu a contratação de parentes no órgão mas negou a prática de nepotismo. Segundo ele, três parentes que prestam serviços em defesa da saúde indígena no Estado foram contratados por organizações não governamentais.
"Recebemos essa denúncia anônima e acreditamos que ela tem que ser investigada. O nepotismo pode não ser a causa das mortes, mas, junto com a incompetência de servidores, agravou a situação", criticou Gabeira, em Cuiabá.
Jossy, por outro lado, admitiu que a contratação de Manaó Soares dos Santos (irmão) ocorreu através da Uniselva, fundação ligada à Universidade Federal de Mato Grosso (UFM); Rosângela Santos (ex-cunhada), seria funcionária da Prefeitura de Várzea Grande, que disponibilizou a servidora à Funasa. Através da mesma situação, Euzébio Soares (irmão) também atua em conjunto com a Funasa. "Essas pessoas já estavam nos cargos antes de eu assumir a coordenação, há sete meses. Se houve nepotismo, vamos investigar também", rebateu Jossy.
Segundo Gabeira, a intensificação das mortes foi provocada pela tática de o governo Lula colocar seus amigos políticos nos postos e tirar os servidores que eram competentes e que tinham experiências. "Essa queda da produtividade de trabalho se expressa no aumento do número de mortes. É irresponsável e criminoso", disse.
Procurador
O procurador da República Mário Lúcio de Avelar informou ter visitado aldeias indígenas e detectou que o maior problema é "falta de gestão crônica da Funasa, incompetência administrativa e omissão". Segundo ele, o órgão começou a repassar recursos para que as prefeituras contratassem médicos para atender as aldeias indígenas. Contudo, não informou aos prefeitos como proceder.
O resultado disso é que os recursos ficaram parados e os índios sem a assistência devida. O procurador falou inclusive em responsabilização do Poder Público pelas mortes de crianças indígenas.
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