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Futuro sera do biocombustivel

OESP, Agricola, p.G8
16 de Nov de 2005

Futuro será do biocombustível
Potencial brasileiro é inegável, mas desafio é criar escala de produção e tornar preços competitivos
Fernanda Yoneya
O futuro da energia no campo está na produção de biomassa, em razão, principalmente, da limitação das fontes atuais de matriz energética, baseadas em combustíveis fósseis, como petróleo e carvão.
Paralelamente, dados oficiais mostram que, de 2000 a 2004, a cadeia produtiva canavieira cresceu em média 13,2% ao ano e, nos próximos cinco anos, o setor deve dobrar de tamanho, para suprir os mercados, nacional e internacional, de açúcar, álcool, energia elétrica e biodiesel. Nesse cenário, o Brasil desponta como líder mundial na agricultura de energia: enquanto a biomassa compõe apenas 1,7% da matriz energética do mundo, no Brasil ela representa 23%.
Segundo o consultor Alfred Szwarc, da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), o campo terá duas possibilidades reais em termos de energia: etanol e biodiesel. O desafio será transformá-los em commodities energéticas.”
O pesquisador Décio Luiz Gazzoni, da Embrapa Soja, prevê que, daqui a 50 anos, a biomassa seja a base da energia renovável. A importância da energia no futuro pode ser verificada, segundo Gazzoni, por sua demanda crescente e, aparentemente, infinita. A energia será um grande negócio, até mais poderoso do que o mercado de alimentos, porque sempre haverá uma nova forma de gastá-la”, compara.
O recém-lançado Plano Nacional de Agroenergia, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que abrange etanol, biodiesel, florestas energéticas, biogás e energia gerada a partir de outros resíduos, também aponta para o esgotamento do petróleo.
Em 2050, o preço do petróleo ficará exorbitante e sua produção será inviável”, acredita Gazzoni, que lidera um projeto para o desenvolvimento de soja, girassol, mamona, dendê e canola para produção de biocombustíveis nos próximos quatro anos.
BIODIESEL
O biodiesel tem sido anunciado como o combustível do futuro. E será. Gazzoni avisa, porém, que a iniciativa privada levará um tempo para dar conta da demanda. O biodiesel é uma grande promessa, mas está em fase de gestação. Não temos nem produção comercial.” A partir de 2008, as empresas deverão utilizar um porcentual mínimo de 2% de biodiesel no óleo diesel comercializado; em 2012, a adição será de 5%.
Para o presidente do Comitê de Agroenergia e Biocombustíveis da Sociedade Rural Brasileira, Maurílio Biagi Filho, o que falta para o biodiesel deslanchar no País é, além de escala produtiva, que a produção se torne rentável.
Para trilhar o caminho de sucesso do álcool deve-se resolver a questão de preços.” Quando o programa estiver plenamente ajustado, Biagi Filho acredita que a tendência será a integração entre usinas e lavouras de matéria-prima do produto. A integração dessas duas atividades será muito interessante para o produtor.”
O agrônomo Arno Dallmeyer, professor da Universidade Federal de Santa Maria, prevê que a consolidação do biodiesel no Brasil levará pelo menos dez anos, a exemplo do que ocorreu na Alemanha e na Áustria. O professor diz, ainda, que a indústria de máquinas agrícolas e de tratores terá que reavaliar a concepção dos motores, para que eles correspondam a esse novo combustível. Será vital refazer o projeto dos motores para ter eficiência na propriedade."

No campo, produtor deve economizar desde já
No campo, a energia considerará três aspectos: economia, eficiência e ambiente. Como a concretização do biodiesel não se dará logo, a recomendação é a de que o produtor economize energia desde já, ajustando o consumo da propriedade. Tanto agora quanto no futuro, o agricultor terá que definir que tipo de energia será mais compensador”, diz o professor Arno Dallmeyer.
Por enquanto, pelo menos nas máquinas agrícolas, o diesel é o combustível mais eficiente. Para outras finalidades, Dallmeyer aponta o potencial da palha de arroz como fonte de energia térmica. No Sul, há quem sofra com excesso de palha na propriedade por não saber de sua utilidade”, conta. Espero que no futuro essa riqueza seja reconhecida.”
Szwarc, da Unica, também destaca a importância dos materiais celulósicos”, que incluem, além da palha, bagaços, resíduos florestais e até lixo orgânico. Quando transformarmos isso em energia e a preços competitivos, será uma revolução.” As energias eólica e solar e o biogás também entram nas previsões: aprimoradas e somadas, podem despontar como opções econômicas.
A pressão social por uma energia não-poluente será inevitável e exigirá alternativas de produção. Hoje, diz Gazzoni, as causas de catástrofes naturais são conhecidas e provam que o uso excessivo de carbono fóssil degrada o ambiente. A tendência é usar fontes renováveis de energia, para a produção de biocombustíveis, em substituição aos combustíveis fósseis. No campo, o produtor também terá de fazer a troca. A substituição será inevitável.”

OESP, 16/11/2005, p. G8

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