OESP, Economia, p. B17
23 de Jan de 2008
Furlan quer ser o embaixador da floresta
Ex-ministro agora é o presidente da Fundação Amazônia Sustentável
Mariana Barbosa
Luiz Fernando Furlan está de emprego novo. Depois de uma carreira dedicada ao setor privado - mais especificamente à Sadia, empresa da qual ainda é sócio -, e da experiência de quatro anos de governo, como ministro do Desenvolvimento (2003-2007), Furlan abraçou a causa da sustentabilidade. Migrou para o terceiro setor e agora preside o conselho da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), uma organização privada de interesse público que tem por missão conservar, por meio de um contrato de concessão onerosa, uma área de 17 milhões de hectares divididos em cinco glebas.
Como presidente do conselho, a principal missão de Furlan será vender a causa da conservação ambiental no exterior. "A posição do Brasil na questão ambiental é muito defensiva. Mas nós preservamos 69% de nossas florestas, enquanto na Europa e nos EUA a cobertura florestal praticamente desapareceu", diz Furlan, que pretende não descansar enquanto não conseguir colar a imagem de amigo do meio ambiente à imagem do Brasil no exterior. "A imagem de um país se reflete em tudo, no turismo, nos negócios e até no preço das mercadorias. Não há nada de errado na trilogia samba-café-Pelé, mas tem de haver evolução."
Esta semana, ele embarcou em sua primeira missão como "embaixador do meio ambiente". Foi para Davos, Suíça, vender o projeto aos grandes líderes mundiais no Fórum Econômico Mundial. Quer sensibilizar sobretudo Eric Schmidt, presidente do Google, e Larry Brilliant, diretor executivo do Google.org (braço social do gigante da internet). "Vou propor uma parceria na qual famílias e empresas possam adotar virtualmente um pedaço de terra na Amazônia para ser conservada ", disse Furlan. "Por meio do Google Earth, as pessoas poderão conferir se a floresta está mesmo sendo preservada."
O interesse pela causa ambiental, explica, surgiu durante as missões para vender biocombustíveis no exterior, quanto esteve no governo. Ficou particularmente sensibilizado após uma conversa com ex-vice presidente americano Al Gore, em 2004, na Califórnia. "Al Gore abraçou uma causa que os políticos não costumam abraçar. Não tenho dúvida de que a história cuidará melhor dele como ambientalista do que se ele tivesse ganho as eleições (contra George W. Bush)."
O emprego novo surgiu no último encontro empresarial promovido pelo apresentador João Dória Junior em Mendoza, na Argentina. Depois de ouvir o governador do Amazonas, Eduardo Braga, lançar a idéia de uma fundação para preservar a floresta, Furlan se prontificou para tornar o projeto realidade.
Ainda que seu estatuto esteja "blindado" para impedir o uso político, a fundação está intimamente ligada ao governo do Amazonas, que concederá bolsas de R$ 600 para as 8,5 mil famílias que hoje moram nas terras sob concessão e que serão transformadas em guardiães da preservação.
Os recursos para custear a fundação virão do rendimento de um fundo fiduciário. O fundo já conta com R$ 40 milhões, metade doado pelo governo do Amazonas e metade pelo Bradesco, e negocia mais R$ 60 milhões com outros patrocinadores. O Bradesco ainda vai repassar, ao longo de cinco anos, R$ 10 milhões anuais, obtidos com a venda de produtos financeiros associados à FAS.
Mais tempo para a família
Aos 61 anos, Luiz Fernando Furlan diz que a "militância ecológica" coincide com sua busca pessoal por uma melhor qualidade de vida. "Achei que tinha cumprido minha missão em quatro anos de governo e queria voltar ao convívio dos meus familiares. Via meus pais a cada dois meses. Os netos estavam crescendo. Não tinha tempo para os filhos, para minha mulher", disse ele, que recebeu a reportagem em um escritório acanhado no bairro de Higienópolis, em São Paulo. A escolha do endereço se deve ao fato de que seu pai, de 85 anos, e que ainda se ocupa com os negócios da família, mora no bairro e trabalha no mesmo prédio. "Moro em Alphaville. Arrumei uma sala aqui por causa do meu pai. Tomamos chá juntos hoje (ontem) de manhã."
OESP, 22/01/2008, Economia, p. B17
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